O funcionamento do sistema imunológico, a aplicação das doses de reforço e a vacinação como forma de evitar o retorno de doenças graves e proteger a população
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Artigos Memória
Cinco séculos depois: por que a infectologia precisa redescobrir Girolamo Fracastoro?
Por Mauro Romero Leal Passos1, Thiago Petra da Silva2 e Ester Dayani Gosaves da Silva3 Quando se pensa em grandes marcos da epidemiologia e do estudo das infecções e do contágio, o senso comum costuma lembrar-se dos avanços laboratoriais do século XIX, marcados por microbiologistas de grande notoriedade. Contudo, muito antes de Louis Pasteur ou Robert Koch provarem experimentalmente a existência de microrganismos, ocorreu uma mudança conceitual importante por conta das ideias do italiano Girolamo Fracastoro, um dos primeiros especialistas em sífilis. Xilogravura disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Fracastoro.jpg Mesmo com as diversas experiências de modelos de vida em pleno século XXI, ficamos fascinados em tentar compreender como os médicos e professores de medicina eram formados, viviam e praticavam na Idade Média e no início da Idade Moderna. Naquele tempo, o acesso aos conhecimentos dava-se por meio do grego e do latim, das aulas expositivas presenciais, da leitura de livros copiados à mão a bico de pena e do atendimento direto aos pacientes em hospitais, residências e igrejas. Ao contrário de hoje – quando a rede digital e periódicos científicos abertos conectam o saber instantaneamente -, os médicos das idades Antiga, Média e Moderna possuíam sólida formação humanista, transitando pela astronomia, filosofia e ciências naturais. Fracastoro foi um legítimo representante desse período: médico, astrônomo, poeta e filósofo da Renascença com amplos interesses que incluíam cosmologia, geologia, farmacologia e biologia. Trajetória, formação e refúgio em Incaffi Filho de Paolo Filippo Fracastoro e Camilla Mascarelli, Girolamo nasceu em Verona em 1476 ou 1478 em uma família nobre da região. Reza a lenda que nasceu com problemas na boca e precisou ser operado. Logo cedo, foi enviado pelo pai para passar alguns anos na propriedade familiar na colina de Incaffi, no sopé da montanha Baldo, entre o Lago de Garda e o rio Ádige, onde foi iniciado nas letras, na filosofia e nas disciplinas naturais. Percebendo suas habilidades intelectuais, seu pai o enviou por volta de 1495 para Pádua, polo cultural de relevância europeia. Na Universidade de Pádua, aprofundou-se em medicina, filosofia, lógica, latim e grego, além de dedicar-se ao estudo dos astros com o professor Pietro Pomponazzi, compartilhando a crença de que as enfermidades humanas guardavam relação com as estrelas. De temperamento taciturno e controlado, mas afável e comunicativo entre amigos e familiares, casou-se por volta de 1500 com Elena Schiavi, com quem teve cinco filhos. Com pouco mais de vinte anos, foi nomeado professor de lógica em Pádua, lecionando até 1509, quando a universidade fechou devido aos conflitos bélicos. Aceito na Escola de Medicina de Verona em 1505 — instituição à qual pertenceu por toda a vida —, retornou à cidade natal em 1509 após a morte do pai. Encontrando suas propriedades devastadas pela guerra, refugiou-se na residência de campo em Incaffi. Ali, entre o cuidado com os trabalhos agrícolas, a música e a correspondência com amigos, dedicou-se intensamente ao estudo e à escrita. Ao retomar a prática médica em Verona, tornou-se afamado entre nobres e abastados, prestando igualmente assistência aos doentes pobres sem exigir remuneração. O impacto da sífilis e a desconstrução do estigma O grande divisor de águas na trajetória de Fracastoro ocorreu na transição do século XV para o XVI, momento em que a sífilis se alastrou pelo continente europeu. A medicina da época, fundamentada nos dogmas de Hipócrates e Galeno, tentava justificar a terrível e desconhecida enfermidade como um desequilíbrio dos humores corporais, corrupção do ar, castigo divino ou fruto de conjunções astrológicas. Fracastoro adotou uma postura reflexiva e observacional, investigando a real transmissão da doença e concluindo que ela se propagava predominantemente pelo contato interpessoal. O polímata italiano buscou …
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NotíciasNotícias da InfectologiaPrimário
Outubro Verde: por que a sífilis continua sendo um desafio para a saúde pública
Diagnóstico precoce, uso de preservativos e tratamento adequado são fundamentais para interromper a transmissão e prevenir complicações, especialmente durante a gestação
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Inscrições prorrogadas e erratas publicadas para os Exames de Titulação e Áreas de Atuação 2026
O novo prazo de inscrição é dia 16 de outubro. Os candidatos devem conferir as retificações dos editais na plataforma oficial antes de realizar a inscrição
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SBI divulga o Simpósio Internacional de Higiene Ambiental em Serviços de Saúde
Realizado em Brasília, o evento abordou novas evidências contra a resistência microbiana e a segurança do paciente. O curso completo está disponível gratuitamente no YouTube
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NotíciasNotícias SBI e Federadas
Nova Portaria de Hemoterapia: atualizações nas regras para bancos de sangue
A Portaria GM/MS nº 11.685/2026 já está em vigor e traz mudanças importantes na triagem de infecções e seleção de doadores
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SBI anuncia auxílio para custeio de publicação de artigos científicos na BJID
Iniciativa visa valorizar a produção científica dos associados adimplentes e fortalecer a Brazilian Journal of Infectious Diseases (BJID) como referência em Infectologia
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A infecção pode evoluir para um quadro fatal em apenas 24 horas. Entenda como identificar os sintomas, a urgência do socorro e o papel da vacinação
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NotíciasNotícias SBI e Federadas
SBI apoia a XXVIII Jornada Nacional de Imunizações da SBIm e garante condições especiais aos associados
Evento acontece presencialmente em outubro, no Rio de Janeiro, e membros da SBI contam com valores de inscrição equivalentes aos da entidade organizadora
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Por Lucy Cavalcanti Ramos Vasconcelos,Antônio Sérgio Mathias eHenrique Bulgarelli Dora Durante boa parte do século XX, a poliomielite esteve entre as doenças infectocontagiosas mais temidas pela saúde pública. A infecção pelo poliovírus era capaz de deixar crianças com paralisia permanente e, nos casos mais graves, comprometer a respiração. Não havia um tratamento padronizado capaz de frear o curso natural da doença. Dessa forma, a busca por formas de prevenção tornou-se uma das prioridades da comunidade científica à época. Albert Bruce Sabin nasceu em 1906, em Białystok, na atual Polônia. Em 1921, sua família mudou-se para os Estados Unidos para fugir da perseguição aos judeus. Anos depois, Sabin formou-se em Medicina pela Universidade de Nova York, em 1931, e começou a estudar a poliomielite por incentivo de seu mentor, William Hallock Park, dedicando décadas à pesquisa que mudaria o curso de sua carreira e da saúde pública. Como Sabin chegou à vacina oral A contribuição de Sabin começou antes da criação da vacina. Seus estudos ajudaram a esclarecer aspectos da infecção pelo poliovírus, que se multiplica no intestino, e o papel da transmissão fecal-oral em sua cadeia de disseminação. Essa compreensão orientou sua pesquisa: uma vacina administrada por via oral poderia induzir imunidade intestinal no principal local de replicação do vírus. Sabin, contudo, não foi o criador da primeira vacina contra a poliomielite. Em 1955, Jonas Salk já havia desenvolvido uma vacina inativada e injetável, capaz de proteger contra as formas paralíticas da doença. A pesquisa de vacinas vivas atenuadas também vinha sendo desenvolvida por outros grupos. Sabin seguiu esse caminho no Hospital Infantil de Cincinnati, trabalhando com poliovírus vivos atenuados, isto é, enfraquecidos, para desenvolver uma vacina administrada por via oral que, além de proteger a pessoa vacinada, produzisse uma resposta imune no intestino e contribuísse para reduzir a transmissão do vírus. O desenvolvimento não foi imediato. Após os estudos iniciais, a vacina precisou ser avaliada em grandes populações. Sabin colaborou com o virologista Mikhail Chumakov na União Soviética, onde foram realizados estudos que envolveram milhares e, posteriormente, milhões de crianças. Também foram conduzidos estudos na Tchecoslováquia. Avaliações internacionais contribuíram para a confirmação dos resultados. A vacina oral passou a ser utilizada em larga escala no início da década de 1960, tornando-se uma das principais ferramentas de combate à poliomielite. Por que as gotinhas mudaram as campanhas? A contribuição de Sabin começou antes da criação da vacina. Seus estudos ajudaram a esclarecer aspectos da infecção pelo poliovírus, que se multiplica no intestino, e o papel da transmissão fecal-oral em sua cadeia de disseminação. Essa compreensão orientou sua pesquisa: uma vacina administrada por via oral poderia induzir imunidade intestinal no principal local de replicação do vírus. Sabin, contudo, não foi o criador da primeira vacina contra a poliomielite. Em 1955, Jonas Salk já havia desenvolvido uma vacina inativada e injetável, capaz de proteger contra as formas paralíticas da doença. A pesquisa de vacinas vivas atenuadas também vinha sendo desenvolvida por outros grupos. Sabin seguiu esse caminho no Hospital Infantil de Cincinnati, trabalhando com poliovírus vivos atenuados, isto é, enfraquecidos, para desenvolver uma vacina administrada por via oral que, além de proteger a pessoa vacinada, produzisse uma resposta imune no intestino e contribuísse para reduzir a transmissão do vírus. O desenvolvimento não foi imediato. Após os estudos iniciais, a vacina precisou ser avaliada em grandes populações. Sabin colaborou com o virologista Mikhail Chumakov na União Soviética, onde foram realizados estudos que envolveram milhares e, posteriormente, milhões de crianças. Também foram conduzidos estudos na Tchecoslováquia. Avaliações internacionais contribuíram para a confirmação dos resultados. A vacina oral passou a ser utilizada em larga escala …
