Por Stefan Cunha Ujvari* A vida de Carlos Chagas parecia destinada ao interior de Minas Gerais. Nascido na fazenda Bom Retiro, em Oliveira (MG), em 1879, cresceu entre plantações de café e a criação de gado. Para a história da medicina, foi providencial que tenha sido reprovado nos exames de admissão para engenharia, sonho de sua mãe, e, com incentivo de um tio médico, optado pela medicina. Ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em vez da então única alternativa na Bahia. Seu interesse científico rapidamente se voltou para uma área em ebulição: a infectologia. Era um período marcado por descobertas sucessivas, com novas bactérias identificadas, doenças infecciosas que começavam a ser compreendidas e pesquisas avançando especialmente nas regiões tropicais. Nesse contexto, iniciou sua trajetória como assistente de laboratório, analisando lâminas ao microscópio em busca de parasitas da malária. O tema despertou tamanho interesse que culminou em seu doutorado, sob orientação de Oswaldo Cruz. A partir daí, sua carreira avançou rapidamente, saindo do ambiente acadêmico para o protagonismo de uma das maiores descobertas da medicina. Atendendo a um convite de seu mentor, passou a atuar em áreas rurais no combate à malária, doença que frequentemente interrompia obras de infraestrutura. Foi assim que, em 1908, sua trajetória cruzou com a expansão da Estrada de Ferro Central do Brasil, no interior de Minas Gerais. Na região de Lassance, no norte do estado, a malária comprometia o avanço da ferrovia. À época, a doença era um problema global, presente não apenas no Brasil, mas também nos Estados Unidos, na Europa mediterrânea e na China. Designado para atuar no controle da enfermidade, Chagas encontrou ali não apenas um desafio sanitário, mas uma oportunidade científica. Mesmo diante de condições precárias, improvisou um laboratório em um vagão ferroviário, equipado com microscópio e corantes. A escassez de recursos não limitou sua curiosidade científica. Nos intervalos de suas atividades, investigava possíveis agentes patogênicos ainda desconhecidos, examinando o sangue de diferentes animais. Foi assim que identificou uma nova espécie de tripanossoma em macacos saguis. Já integrado à comunidade local, recebeu relatos sobre um inseto que habitava frestas de casas de pau a pique. De hábito noturno, alimentava-se do sangue de pessoas adormecidas, frequentemente picando o rosto, daí o apelido “barbeiro”. Ao analisar o inseto, Chagas identificou em seu intestino formas flageladas de parasitas do gênero Trypanosoma. Surgiam então as hipóteses: seria aquele inseto vetor de uma nova doença? Tratava-se de uma nova espécie parasitária? Para avançar, enviou exemplares ao Rio de Janeiro, onde Oswaldo Cruz conduziu experimentos infectando saguis em laboratório. Semanas depois, os animais apresentavam o parasita no sangue. Estava identificada uma nova espécie: o Trypanosoma cruzi, nomeado em homenagem a seu mentor. Faltava ainda a confirmação em humanos e ela veio em 1909, quando Chagas atendeu uma criança da região, a menina Berenice, de dois anos, que apresentava febre, aumento do fígado, baço e linfonodos. Ao analisar inicialmente seu sangue, não encontrou o parasita. Persistente, repetiu o exame quatro dias depois. Desta vez, identificou numerosas formas do protozoário. Com isso, Chagas realizou um feito único na história da medicina: descreveu simultaneamente uma nova doença humana, seu agente etiológico, o vetor de transmissão e aspectos de sua epidemiologia. Estava consolidada a descoberta da doença de Chagas, marco da medicina tropical e da saúde pública. Além dessa contribuição singular, sua trajetória inclui reconhecimento internacional, com homenagens de instituições científicas europeias e norte-americanas, e participação em expedições à Amazônia voltadas à pesquisa e ao saneamento. O ápice de sua carreira ocorreu em 1917, quando, três dias após a morte de Oswaldo Cruz, assumiu a direção do Instituto Oswaldo …
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SAIU NA IMPRENSA: Cidades do Vale do Paraíba intensificam medidas de combate à dengue
Em matéria sobre “Cidades do Vale do Paraíba intensificam medidas de combate à dengue”, a Dra Rosana Ritchmann, representou a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explicando sobre baixa adesão à vacinação contra a dengue, quais são as causas, qual é a meta, por que a vacina está restrita a um determinado público. Ouça aqui: https://www.youtube.com/live/h-k_XxWmRJ0?t=550s
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SAIU NA IMPRENSA: Covid-19: veja perguntas e respostas sobre a variante BA. 3.2, identificada em 23 países
Em matéria sobre a variante BA 3.2, a Dr Rita Medeiros representou a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explicando sobre o risco que variante representa à população. Leia aqui: https://www.estadao.com.br/saude/covid-19-veja-perguntas-e-respostas-sobre-a-variante-ba32-identificada-em-23-paises-nprm/
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SAIU NA IMPRENSA: Campanha nacional de vacinação contra a gripe começa neste sábado (28)
Em matéria sobre a Campanha de Vacinação da gripe, a Dra Rita Medeiros, representou a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explicando sobre a diferença no calendário entre as regiões do país. Leia aqui: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/03/campanha-nacional-de-vacinacao-contra-a-gripe-comeca-neste-sabado-28.shtml
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INFOCUS 2026: Curitiba será a capital latino-americana da Micologia Clínica em julho
O 23º INFOCUS e o 2º ISHAM LATAM reúnem os maiores especialistas mundiais para debater os avanços no diagnóstico e tratamento de infecções fúngicas.
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Solenidade marca posse de novos membros na Academia de Medicina de São Paulo
Cerimônia reconhece trajetórias de excelência e destaca a eleição do infectologista Sérgio Cimerman como membro titular São Paulo, março de 2026 – A Academia de Medicina de São Paulo realizou, na última quarta-feira (25), a Sessão Solene de Posse de novos membros titulares e honorários. Entre os empossados como membros titulares está o Dr. Sérgio Cimerman, médico infectologista e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Sua eleição reflete o reconhecimento de sua trajetória científica e contribuição à medicina brasileira. Novos acadêmicos Membros titulares: Membros honorários:
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3ª edição do curso oficial de atualização em Infectologia reúne especialistas para discutir avanços da área
Promovido pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) em parceria com o Grupo GEN, o curso oferece conteúdo científico atualizado voltado à prática clínica
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SAIU NA IMPRENSA: OMS recomenda testes rápidos e portáteis para ampliar diagnóstico de tuberculose:
Em matéria sobre o Dia Mundial da Tuberculose, a Dra Valeria Rolla representou a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) explicando sobre a nova medida da OMS e sobre o controle da tuberculose. Leia aqui: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/03/oms-recomenda-testes-rapidos-e-portateis-para-ampliar-diagnostico-de-tuberculose.shtml
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SAIU NA IMPRENSA: Casos de HIV avançam entre mulheres acima dos 50 anos no Brasil e expõem diagnóstico tardio
Em matéria sobre HIV em mulheres 50+, a Dra Raquel Guimares representou a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) explicando sobre os problemas no diagnóstico tardio e sintomas que passam despercebidos por mulheres. Leia aqui: https://revistamarieclaire.globo.com/saude/noticia/2026/03/casos-de-hiv-avancam-entre-mulheres-acima-dos-50-anos-no-brasil-e-expoem-diagnostico-tardio.ghtml
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Dia Mundial da Tuberculose: abandono do tratamento ainda é um dos principais desafios para o controle da doença no Brasil
No Dia Mundial da Tuberculose, infectologistas alertam que a interrupção precoce da medicação compromete a cura e favorece o surgimento de formas resistentes da doença. São Paulo, março de 2026 – Celebrado em 24 de março, o Dia Mundial da Tuberculose reforça a importância do diagnóstico precoce, da adesão ao tratamento e da ampliação das estratégias de controle da doença. Apesar de ter cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tuberculose ainda representa um importante desafio de saúde pública no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o país registrou 85.936 novos casos de tuberculose em 2024, mantendo-se entre os países com alta carga da doença no cenário global. A mortalidade também permanece relevante: 6.025 óbitos foram registrados em 2023, o que representa uma média de aproximadamente 16 mortes por dia. Embora a taxa de detecção tenha alcançado cerca de 89% dos casos, o sucesso do tratamento de pacientes novos ainda gira em torno de 70% a 75%, abaixo da meta de 90% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde. Para especialistas da Sociedade Brasileira de Infectologia, a adesão ao tratamento continua sendo um dos principais desafios para reduzir a incidência e a mortalidade da doença no país. Segundo o infectologista Max Igor Banks Ferreira Lopes, interromper a medicação antes do tempo recomendado pode comprometer a eficácia do tratamento. “Muitos pacientes deixam de tomar os medicamentos quando os sintomas começam a desaparecer. No entanto, a bactéria ainda está presente no organismo. A interrupção precoce do tratamento aumenta o risco de recaída e favorece o surgimento de resistência aos medicamentos”, explica. Adesão ao tratamento é fundamental para o controle da doença O tratamento da tuberculose dura, em média, seis meses e envolve o uso contínuo de antibióticos específicos. Quando realizado corretamente, as chances de cura são elevadas. Entretanto, a interrupção do tratamento pode levar ao desenvolvimento da tuberculose multirresistente (TB-MDR), condição em que a bactéria se torna resistente aos principais medicamentos utilizados no esquema inicial. Nesses casos, o tratamento é mais longo e complexo, podendo durar até dois anos e exigir o uso de medicamentos mais potentes. De acordo com a infectologista Valeria Cavalcanti Rolla, garantir a adesão ao tratamento é uma das estratégias centrais para reduzir a transmissão da doença. “Quando o tratamento é seguido corretamente, o paciente tem altas chances de cura e deixa de transmitir a doença. O abandono terapêutico, por outro lado, contribui para a manutenção da cadeia de transmissão na comunidade”, afirma. Coinfecção TB-HIV exige atenção A tuberculose também representa um risco maior para pessoas vivendo com HIV, que apresentam maior probabilidade de desenvolver formas graves da doença. Nesse contexto, especialistas destacam a importância do diagnóstico precoce, da integração entre os programas de controle da tuberculose e do HIV e da ampliação do acesso ao tratamento da infecção latente da tuberculose, estratégia essencial para reduzir o risco de adoecimento. Metas globais e estratégias de controle O Brasil integra o compromisso global liderado pela Organização Mundial da Saúde para reduzir em 95% o número de mortes por tuberculose e em 90% a incidência da doença até 2030. Entre as estratégias adotadas pelo Ministério da Saúde está o Tratamento Diretamente Observado (TDO), modelo em que profissionais de saúde acompanham a ingestão dos medicamentos para garantir a adesão ao tratamento. Para a Sociedade Brasileira de Infectologia, fortalecer o diagnóstico precoce, ampliar o acesso ao tratamento e enfrentar as vulnerabilidades sociais associadas à doença são medidas fundamentais para avançar no controle da tuberculose no país.
