Semana Mundial de Imunização reforça importância da confiança na ciência diante da desinformação e do risco de reintrodução de doenças preveníveis A recuperação gradual das coberturas vacinais no Brasil representa um avanço importante para a saúde pública. No entanto, especialistas alertam que a hesitação vacinal ainda permanece como um desafio relevante para o controle de doenças imunopreveníveis. Durante a Semana Mundial de Imunização de 2026, o debate sobre a importância da vacinação ganha destaque em meio a um cenário que combina retomada dos índices de imunização, circulação de desinformação e preocupação com o retorno de doenças anteriormente controladas. Após anos de queda nas taxas de vacinação, dados recentes do Ministério da Saúde indicam melhora nos indicadores nacionais, especialmente entre as vacinas infantis. Apesar desse avanço, ainda há desigualdade entre municípios e dificuldades para alcançar as metas de cobertura recomendadas. Cobertura vacinal continua sendo uma das principais estratégias de prevenção A vacinação é considerada uma das medidas mais eficazes para prevenção de doenças infecciosas ao longo da vida. Além da proteção individual, as vacinas contribuem para a imunidade coletiva, reduzindo a circulação de agentes infecciosos e protegendo grupos mais vulneráveis. O Brasil possui um dos maiores programas públicos de imunização do mundo, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que oferece gratuitamente vacinas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, o PNI disponibiliza dezenas de imunobiológicos voltados à prevenção de doenças como poliomielite, sarampo, hepatites virais, meningites, febre amarela e influenza. Ao longo das últimas décadas, a vacinação foi decisiva para a eliminação da varíola e para o controle da poliomielite no país, além da redução expressiva de hospitalizações e mortes relacionadas a doenças infecciosas. Hesitação vacinal permanece como barreira no controle de doenças Mesmo com ampla disponibilidade de vacinas, a hesitação vacinal ainda interfere na adesão da população às campanhas de imunização. O fenômeno é multifatorial e envolve dúvidas sobre segurança, percepção reduzida de risco das doenças, baixa confiança institucional e, principalmente, circulação de informações falsas em redes sociais e ambientes digitais. Segundo pesquisas sobre comportamento vacinal no Brasil, parte da população já relatou receio em relação à vacinação após contato com conteúdos negativos ou desinformação. A queda nas coberturas vacinais registrada nos últimos anos reforçou o alerta para possíveis impactos epidemiológicos. Em alguns períodos recentes, determinadas vacinas infantis chegaram a registrar coberturas abaixo do recomendado, aumentando o risco de reintrodução de doenças preveníveis. Cobertura vacinal mostra sinais de recuperação Dados recentes do Ministério da Saúde apontam melhora progressiva nos indicadores de imunização infantil. Entre os principais avanços observados: Apesar dos avanços, especialistas destacam que a recuperação ainda não é homogênea em todo o território nacional e que parte das vacinas segue abaixo das metas ideais. Estratégias de conscientização e compromisso coletivo Entre as estratégias adotadas pelo sistema público de saúde, destaca-se o microplanejamento, modelo que integra ações entre equipes de imunização e atenção primária. A proposta inclui análise territorial, identificação de grupos com baixa cobertura, busca ativa de não vacinados e organização local das campanhas. Além das ações operacionais, especialistas reforçam a importância da comunicação em saúde como ferramenta para combater a desinformação e fortalecer a confiança da população nas vacinas. A ampliação das coberturas vacinais depende de um esforço coletivo envolvendo profissionais de saúde, gestores públicos, escolas, famílias e meios de comunicação. Fortalecer a confiança na ciência, ampliar o acesso à informação qualificada e manter campanhas permanentes de conscientização são medidas fundamentais para reduzir o risco de retorno de doenças preveníveis. Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Imunizações (PNI). Brasília, DF: Ministério da Saúde, [2026].BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. …
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Dia Mundial da Tuberculose: abandono do tratamento ainda é um dos principais desafios para o controle da doença no Brasil
No Dia Mundial da Tuberculose, infectologistas alertam que a interrupção precoce da medicação compromete a cura e favorece o surgimento de formas resistentes da doença. São Paulo, março de 2026 – Celebrado em 24 de março, o Dia Mundial da Tuberculose reforça a importância do diagnóstico precoce, da adesão ao tratamento e da ampliação das estratégias de controle da doença. Apesar de ter cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tuberculose ainda representa um importante desafio de saúde pública no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o país registrou 85.936 novos casos de tuberculose em 2024, mantendo-se entre os países com alta carga da doença no cenário global. A mortalidade também permanece relevante: 6.025 óbitos foram registrados em 2023, o que representa uma média de aproximadamente 16 mortes por dia. Embora a taxa de detecção tenha alcançado cerca de 89% dos casos, o sucesso do tratamento de pacientes novos ainda gira em torno de 70% a 75%, abaixo da meta de 90% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde. Para especialistas da Sociedade Brasileira de Infectologia, a adesão ao tratamento continua sendo um dos principais desafios para reduzir a incidência e a mortalidade da doença no país. Segundo o infectologista Max Igor Banks Ferreira Lopes, interromper a medicação antes do tempo recomendado pode comprometer a eficácia do tratamento. “Muitos pacientes deixam de tomar os medicamentos quando os sintomas começam a desaparecer. No entanto, a bactéria ainda está presente no organismo. A interrupção precoce do tratamento aumenta o risco de recaída e favorece o surgimento de resistência aos medicamentos”, explica. Adesão ao tratamento é fundamental para o controle da doença O tratamento da tuberculose dura, em média, seis meses e envolve o uso contínuo de antibióticos específicos. Quando realizado corretamente, as chances de cura são elevadas. Entretanto, a interrupção do tratamento pode levar ao desenvolvimento da tuberculose multirresistente (TB-MDR), condição em que a bactéria se torna resistente aos principais medicamentos utilizados no esquema inicial. Nesses casos, o tratamento é mais longo e complexo, podendo durar até dois anos e exigir o uso de medicamentos mais potentes. De acordo com a infectologista Valeria Cavalcanti Rolla, garantir a adesão ao tratamento é uma das estratégias centrais para reduzir a transmissão da doença. “Quando o tratamento é seguido corretamente, o paciente tem altas chances de cura e deixa de transmitir a doença. O abandono terapêutico, por outro lado, contribui para a manutenção da cadeia de transmissão na comunidade”, afirma. Coinfecção TB-HIV exige atenção A tuberculose também representa um risco maior para pessoas vivendo com HIV, que apresentam maior probabilidade de desenvolver formas graves da doença. Nesse contexto, especialistas destacam a importância do diagnóstico precoce, da integração entre os programas de controle da tuberculose e do HIV e da ampliação do acesso ao tratamento da infecção latente da tuberculose, estratégia essencial para reduzir o risco de adoecimento. Metas globais e estratégias de controle O Brasil integra o compromisso global liderado pela Organização Mundial da Saúde para reduzir em 95% o número de mortes por tuberculose e em 90% a incidência da doença até 2030. Entre as estratégias adotadas pelo Ministério da Saúde está o Tratamento Diretamente Observado (TDO), modelo em que profissionais de saúde acompanham a ingestão dos medicamentos para garantir a adesão ao tratamento. Para a Sociedade Brasileira de Infectologia, fortalecer o diagnóstico precoce, ampliar o acesso ao tratamento e enfrentar as vulnerabilidades sociais associadas à doença são medidas fundamentais para avançar no controle da tuberculose no país.
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HTLV: O vírus silencioso que afeta mais de 1 milhão de brasileiros exige diagnóstico precoce
Com prevalência alarmante no Brasil, infecção pode levar décadas para manifestar sintomas graves SÃO PAULO – O Vírus Linfotrópico de Células T Humanas (HTLV) permanece como um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil. Estima-se que 1,1 milhão de pessoas vivam com o vírus no país, mas a grande maioria desconhece o diagnóstico. O alerta ganha força no Dia Mundial do HTLV, reforçando a necessidade de exames preventivos e do uso de métodos de prevenção. Diferente de outras infecções, o HTLV ataca os linfócitos T e pode permanecer silencioso por décadas. No entanto, entre 5% e 10% dos infectados desenvolvem doenças graves, como a Leucemia/Linfoma de células T do Adulto (ATLL) e a Mielopatia Associada ao HTLV (HAM/TSP) — uma condição neurológica que afeta a mobilidade e o controle urinário. Avanços no diagnóstico e políticas públicas O cenário de combate ao vírus mudou drasticamente nos últimos dois anos. Desde a publicação da Portaria GM/MS nº 3.148/2024, a infecção tornou-se um agravo de notificação compulsória, que permite ao Ministério da Saúde mapear a dimensão da epidemia em solo brasileiro. Outro avanço é a inclusão do teste de HTLV no pré-natal da Rede Alyne (SUS). O objetivo é interromper a transmissão vertical, transmitida de mãe para filho, que ocorre majoritariamente pela amamentação. A recomendação médica orienta que mães soropositivas devem ser orientadas a inibir a lactação, substituindo o leite materno por fórmulas infantis fornecidas gratuitamente pelo governo. Formas de transmissão e prevenção O contágio do HTLV é semelhante ao de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). As principais vias são: Relações sexuais desprotegidas: Amamentação, que é a principal via de transmissão vertical. Compartilhamento de agulhas, que há riscos ligados ao uso de drogas injetáveis. Transfusões e transplantes, controlados por triagem obrigatória em bancos de sangue. O perigo da falta de informação De acordo com o infectologista Carlos Brites, a falta de informação é o maior obstáculo. “O paciente pode carregar o vírus por 30 anos sem saber, até que surjam dificuldades para caminhar que são frequentemente confundidas com o envelhecimento natural ou problemas de coluna”, explica o especialista. O doutor destaca que o diagnóstico precoce e a fisioterapia especializada são fundamentais para manter a autonomia do paciente. Além do cuidado físico, ele reforça a necessidade de suporte psicossocial para combater o estigma que ainda envolve a doença.
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Número registrado entre janeiro e outubro de 2022 supera o total de óbitos dos dois anos anteriores. Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) considera os dados alarmantes e alerta para a necessidade de medidas urgentes
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Foram publicadas as diretrizes a respeito do “Diagnóstico, prevenção e manejo de doença criptocócica entre crianças, adolescentes e adultos vivendo com HIV” pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Diagnóstico e prevenção da doença, tratamentos e uma ampla atualização estão disponíveis nesse documento, lançado em junho de 2002. Essas diretrizes contaram com a participação do infectologista José Vidal, membro do Comitê de HIV/aids da Sociedade Brasileira de Infectologia, que compôs o grupo de pesquisadores desenvolvimento e elaboração desse documento.
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Infectologistas brasileiros publicaram comentários no The American of Medicine sobre tratamentos sem comprovação científica para COVID-19
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Voltada para a classe médica, RIMA passa a ter diferentes funcionalidades para atender a demandas científicas
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Dois medicamentos bem importantes acabaram de ser incorporados pelo Ministério da Saúde para meningite criptocócica e neurocriptococose
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Notícias da Infectologia
Editorial do BJID analisa a realidade da pandemia de COVID-19 no Brasil e na América Latina
por SBIEspecialistas abordam o legado e os aprendizados para a medicina em um ano histórico para a saúde pública
