Há 30 anos, o Brasil tomou uma decisão que mudaria para sempre a história da saúde pública mundial. Ao garantir, por lei, o acesso universal e gratuito ao tratamento antirretroviral para pessoas com HIV, o país escolheu colocar a vida acima de qualquer outra prioridade. Foi um ato de coragem, de humanidade e de compromisso com a ciência. Quando o HIV e a aids surgiram no Brasil e no mundo, nós, infectologistas, éramos espectadores da catástrofe. Víamos as pessoas irem e deixarem entes queridos e amigos; nada podíamos fazer além de oferecer nossa legítima empatia. Naquele momento, quando o HIV ainda carregava o peso do medo, do preconceito e de um prognóstico muitas vezes devastador, oferecer tratamento gratuito parecia, para muitos, um desafio impossível. Para o Brasil, porém, tornou-se um compromisso inegociável. Países desenvolvidos ainda acusaram nossa iniciativa de representar um risco para o mundo por propiciar oportunidades para a seleção de vírus resistentes. Afinal, somos um país não desenvolvido, com mazelas relacionadas à pobreza que comprometem a adesão ao tratamento. Erro fundamental desses avaliadores internacionais! Prestemos atenção! Ao longo dessas três décadas, milhões de pessoas tiveram a oportunidade de transformar um diagnóstico que antes significava uma sentença de morte em uma condição crônica, passível de controle, permitindo que sonhos fossem retomados, famílias fossem construídas, filhos crescessem ao lado de seus pais e mães e projetos de vida continuassem a existir. Cada comprimido distribuído representa muito mais do que um medicamento. Representa tempo. Representa aniversários celebrados, formaturas, casamentos, netos que nasceram, carreiras construídas e histórias que puderam continuar sendo escritas. Essa conquista só foi possível graças ao trabalho conjunto do Sistema Único de Saúde, da comunidade científica, dos profissionais de saúde, dos movimentos sociais, das pessoas vivendo com HIV e de gestores públicos que compreenderam que enfrentar uma epidemia exige conhecimento, solidariedade e políticas públicas baseadas em evidências. A evolução dos tratamentos acompanhou a da própria ciência. Os tratamentos antirretrovirais tornaram-se mais eficazes, mais seguros e mais simples, proporcionando melhor qualidade de vida e permitindo que pessoas vivendo com HIV tenham hoje uma expectativa de vida … Vamos falar um pouquinho sobre a expectativa de vida. Quando éramos espectadores da catástrofe, a expectativa de vida das pessoas com aids era muito baixa. Essa expectativa foi aumentando com a instituição e a melhora dos tratamentos antirretrovirais. Hoje, a expectativa de vida das pessoas diagnosticadas precocemente com HIV e que recebem tratamento, culminando em carga viral indetectável, é superior à das pessoas sem HIV! Assim, o HIV protegeria as pessoas! Porque as pessoas com HIV recebem os medicamentos, são monitoradas, vão aos médicos, diagnosticam as comorbidades, e recebem a proteção propiciada por nós, médico(a)s infectologistas. Além disso, o conhecimento científico consolidou um dos maiores avanços no enfrentamento da epidemia … (Existe alguma verdade absoluta na medicina?) Sim existe! E está na nossa área. Na infectologia. Pessoas em tratamento, com carga viral indetectável, não transmitem o HIV por via sexual: o princípio conhecido mundialmente como Indetectável = Intransmissível (I=I). Celebrar esses 30 anos, entretanto, não significa considerar a missão concluída. Ainda existem desafios importantes: ampliar o diagnóstico precoce, reduzir as desigualdades no acesso aos serviços de saúde, combater o estigma e a discriminação, fortalecer a prevenção combinada e garantir que todas as pessoas tenham acesso contínuo às tecnologias de tratamento mais modernas. A história dos antirretrovirais no Brasil é, acima de tudo, a história da confiança na ciência. É a prova de que políticas públicas consistentes salvam vidas e reduzem desigualdades. É um legado que ultrapassa fronteiras e permanece como referência internacional de que a saúde é um direito, não um privilégio. Neste …
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Resposta ao ofício enviado ao Comitê Científico de Medicina de Viagem da Sociedade Brasileira de Infectologia com os seguintes questionamentos:
São Paulo, 18 de março de 2026 Há recomendação formal, em diretrizes nacionais vigentes, para utilização de doxiciclinacomo quimioprofilaxia para malária no território brasileiro para profissionais de saúde? Não há recomendação formal, nas diretrizes nacionais vigentes, para o uso rotineiro dedoxiciclina como quimioprofilaxia da malária por profissionais de saúde em atuação noterritório brasileiro. Os documentos do Ministério da Saúde indicam que, no contextoepidemiológico nacional — caracterizado pelo predomínio de Plasmodium vivax e pela ampladisponibilidade de diagnóstico e tratamento — a estratégia prioritária de controle baseia-seem medidas de proteção contra picadas de mosquitos, diagnóstico precoce e tratamentooportuno. Entretanto, essa orientação não constitui contraindicação absoluta. É importante distinguir oprofissional que reside em área endêmica daquele que se desloca temporariamente,proveniente de região sem transmissão, para atuar em situações específicas, como missõesemergenciais ou assistência em áreas remotas com transmissão ativa de malária e possívellimitação de acesso ao diagnóstico e tratamento. Nessas circunstâncias, a decisão pode ser individualizada, considerando intensidade e duraçãoda exposição, localização da atividade, acesso a serviços de saúde e condições clínicas doindivíduo. Assim, embora não exista recomendação rotineira, a quimioprofilaxia pode serconsiderada de forma excepcional após avaliação individual de risco-benefício. Existe indicação de quimioprofilaxia para malária em protocolos do Sistema Único deSaúde (SUS)? Não. A quimioprofilaxia da malária não integra as estratégias de rotina previstas nosprotocolos assistenciais do Sistema Único de Saúde (SUS). As diretrizes do Ministério da Saúdepriorizam medidas de proteção individual contra picadas de mosquitos, diagnóstico precoce etratamento imediato, abordagem considerada mais adequada diante do predomíniode Plasmodium vivax e da ampla rede de diagnóstico e tratamento disponível no país. Por esse motivo, os documentos oficiais não recomendam quimioprofilaxia de forma rotineirapara viajantes em território nacional. Entretanto, a literatura de medicina de viagem e aspróprias orientações do Ministério da Saúde reconhecem que a decisão pode serindividualizada em situações específicas. Nessa avaliação devem ser considerados fatores como destino, intensidade e duração daexposição, presença de transmissão por Plasmodium falciparum, acesso oportuno adiagnóstico e tratamento e condições clínicas do viajante. Assim, embora não faça parte dasestratégias rotineiras do SUS, a quimioprofilaxia pode ser considerada de forma excepcional nocontexto de aconselhamento pré-viagem. A conduta mencionada encontra respaldo em diretrizes oficiais do Ministério da Saúdeatualmente vigentes? A indicação rotineira de quimioprofilaxia da malária no território brasileiro não encontrarespaldo nas diretrizes mais recentes do Ministério da Saúde. O Guia de Tratamento daMalária no Brasil (2021) orienta que, no contexto epidemiológico nacional — caracterizadopelo predomínio de Plasmodium vivax e pela ampla disponibilidade de rede para diagnóstico etratamento — a quimioprofilaxia não é indicada de forma rotineira para viajantes em territórionacional. Entretanto, documentos do próprio Ministério da Saúde reconhecem a quimioprofilaxia comouma estratégia possível em situações específicas. O Guia para Profissionais de Saúde sobrePrevenção da Malária em Viajantes (2008) descreve essa medida como opção que pode serconsiderada após avaliação individual de risco, especialmente em contextos de exposiçãorelevante a Plasmodium falciparum. Nesse documento, doxiciclina, mefloquina e cloroquinasão citadas como opções profiláticas disponíveis. Assim, embora não exista recomendação de uso rotineiro nas diretrizes atuais, reconhece-seque a decisão pode ser individualizada em situações especiais, considerando características daviagem e do viajante. Do ponto de vista da prática médica no Brasil, a indicação de quimioprofilaxia paramalária constitui conduta rotineira ou recomendada? Do ponto de vista da prática médica no Brasil, a quimioprofilaxia para malária não constituiconduta rotineira nem universalmente recomendada para deslocamentos em territórionacional. A estratégia predominante baseia-se em medidas de proteção contra picadas demosquitos, diagnóstico precoce e tratamento oportuno. Entretanto, isso não equivale a contraindicação absoluta. Em determinadas circunstâncias —particularmente quando houver exposição relevante em áreas remotas com transmissão ativa,risco de infecção por Plasmodium falciparum, permanência prolongada ou dificuldade deacesso ao diagnóstico e …
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Manifestação da Sociedade Brasileira de Infectologia de reconhecimento pela publicação de documentos estratégicos para o fortalecimento da prevenção e controle das infecções relacionadas à assistência à saúde, da resistência microbiana e da segurança do paciente no Brasil
São Paulo, 13 de março de 2026. De: Sociedade Brasileira de Infectologia – Comitê de IRAS, Qualidade/Segurança e Resistência Microbiana Para: Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISAA/C Dr. Leandro Pinheiro SafatleDiretor-Presidente da Anvisa Cópia para: Dr. Thiago Lopes Cardoso CamposDiretor da Quinta Diretoria da Anvisa Prezado Senhor, A Sociedade Brasileira de Infectologia, por meio de seu Comitê de IRAS, Qualidade/Segurança e Resistência Microbiana, vem, respeitosamente, manifestar seu reconhecimento institucional à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) pela publicação, em 2026, da atualização de documentos técnicos relevantes destinados ao fortalecimento das ações de prevenção e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde, à resistência microbiana e à promoção da segurança do paciente no Brasil. Destacamos, em especial, a publicação do Plano Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde – PNPCIRAS 2026–2030 e do Plano Integrado de Segurança do Paciente 2026–2030. A publicação da atualização do Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS) 2026–2030 pela Portaria nº 79, de 28 de janeiro de 2026, além de dar continuidade a versões anteriores (PNPCIRAS 2013-2015; PNPCIRAS 2016-2020; PNPCIRAS 2021-2025), constitui uma ferramenta estratégica importante para orientar o planejamento, a implementação, monitoramento e consolidação de ações em nível nacional, contribuindo para a redução das IRAS, para o enfrentamento da resistência microbiana e para o fortalecimento da segurança do paciente no país. Cabe destacar que o PNPCIRAS com vigência para 2026-2030 foi elaborado pela GVIMS/GGTES/Anvisa, em colaboração com a CNCIRAS (Comissão Nacional de Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde), com a Câmara Técnica de Resistência Microbiana em Serviços de Saúde (CATREM) e com as Coordenações Estaduais / Distrital/ Municipais de Prevenção e Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. O programa foi fundamentado nos componentes essenciais da OMS, considerando os resultados da avaliação do programa realizada em 2024, os resultados do PNPCIRAS 2021-2025 e as melhores evidências científicas disponíveis. Entre seus principais eixos estão o fortalecimento dos programas de prevenção e controle de infecções nos serviços de saúde, o aprimoramento da vigilância epidemiológica das infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS), a promoção de boas práticas assistenciais — como higiene das mãos, limpeza e desinfecção de superfícies e uso seguro de dispositivos invasivos — e o desenvolvimento de estratégias para prevenir e controlar a disseminação de microrganismos multirresistentes, incluindo ações voltadas ao uso racional de antimicrobianos. Entendemos que publicações como estas são extremamente relevantes para guiar não só as instituições de saúde, mas também as Comissões de Prevenção e Controle de IRAS Estaduais e Municipais nas ações a serem desenvolvidas e monitoradas em prol da redução das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde e da Resistência Microbiana. Além disso, considerando o conceito de multiprofissionalidade e a necessidade de trabalho em colaboração, este programa representa a reunião de diversas instâncias profissionais alinhadas a um único objetivo: promover a segurança e a qualidade da assistência em nosso país. Quanto à publicação da atualização do Plano Integrado de Segurança do Paciente 2026–2030, aprovado pela PORTARIA MS/Anvisa nº 80, DE 28 DE JANEIRO DE 2026, destacamos a evolução e consolidação das ações relacionadas à Avaliação Nacional das Práticas de Segurança do Paciente, demonstrando a continuidade das publicações anteriores do Plano Integrado de Segurança do Paciente, versões 2015–2020 e 2021-2025. No Plano Integrado de Segurança do Paciente 2015-2020 o objetivo central foi integrar as ações do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) para a gestão da segurança do paciente em Serviços de Saúde do País, visando à identificação e redução de riscos relacionados à assistência à saúde, servindo como base para o monitoramento e …
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Relatório conjunto da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), FEBRASGO (Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia), SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) e SBPC/ML (Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial): recomendações para o manejo clínico de infecções do trato urinário inferior em gestantes e não gestantes.
por Júnior Rosahttps://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1413867020300283?via%3Dihub
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https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/especiais/2025/boletim-epidemiologico-da-sifilis.pdf
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https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/especiais/2025/boletim-epidemiologico-de-hepatites-virais.pdf
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https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/a/acidentes-ofidicos.pdf/view
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https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/boletins-epidemiologicos/2025/boletim_hiv_aids_2025.pdf/view
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Diretrizes para o tratamento antimicrobiano de infecções por bactérias Gram-negativas multirresistentes: recomendações práticas da Sociedade Brasileira de Infectologia
por Júnior Rosahttps://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S141386702500090X
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