A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) vem a público manifestar seu apoio técnico e institucional à decisão preventiva do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de descontinuar temporariamente a atual estratégia de vacinação contra a dengue com o imunizante Butantan-DV.
Diante do relato de 42 casos raros com sinais de alerta, incluindo dois óbitos em investigação, a SBI reitera que a interrupção temporária é uma medida de prudência, que reflete o rigor e a seriedade do sistema de farmacovigilância brasileiro. Pausar a aplicação para investigar eventos inesperados que não foram observados nos estudos clínicos iniciais é o protocolo padrão internacional para garantir a segurança da população.
Para orientar a comunidade médica, os profissionais de saúde e a população geral, a SBI destaca os seguintes pontos fundamentais:
- A suspensão é preventiva, não definitiva: Até o momento,os episódios relatados representam uma fração raríssima (0,008%) das 500 mil doses aplicadas. Não há, até o presente momento, um resultado conclusivo que estabeleça nexo de causalidade entre os óbitos e a vacina.
- A eficácia do imunizante permanece respaldada: A SBI reforça que a medida cautelar não invalida os dados de eficácia e segurança demonstrados pela vacina nas etapas de avaliação que antecederam sua incorporação ao SUS.
- Orientação para quem já foi vacinado: Conforme as diretrizes das autoridades sanitárias, as pessoas que já receberam o imunizante estão seguras, pois as evidências de proteção continuam válidas. A recomendação é observar o estado de saúde por 21 dias após a aplicação. Caso surjam sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura ou desidratação, deve-se buscar atendimento médico imediato.
- Intensificação da Vigilância Clínica: A SBI orienta os médicos infectologistas e as equipes de Atenção Primária a reforçarem o monitoramento de pacientes vacinados que apresentem sintomas suspeitos, garantindo a notificação ágil e o manejo clínico imediato.
- Manutenção do combate ao vetor: Lembramos que o enfrentamento à dengue é multissetorial. Enquanto a ciência investiga os dados epidemiológicos da vacina, as ações de controle do mosquito Aedes aegypti devem ser mantidas com total intensidade pelo governo e pela população.
A SBI mantém seus comitês técnicos e científicos em permanente avaliação dos dados que serão gerados pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI). Reafirmamos nossa confiança na ciência, nas instituições regulatórias do Brasil e no Sistema Único de Saúde (SUS).
Sobre a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI)
A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) é uma entidade científica sem fins lucrativos que reúne especialistas dedicados ao estudo, prevenção e tratamento das doenças infecciosas no Brasil. A instituição atua na produção e disseminação de conhecimento técnico-científico, na elaboração de diretrizes clínicas e no apoio a políticas públicas de saúde, contribuindo para o fortalecimento da vigilância epidemiológica e da assistência à população. Saiba mais: www.infectologia.org.br
Informações para a Imprensa:
Vector Comunicação Científica
Ana Krauss
ana.krauss@vectorcomunica.com.br
(11) 99534-3483
Bruna De Santis
bruna.desantis@vectorcomunica.com.br
(11) 99933-2337
