Data reforça a importância das estratégias de prevenção, vigilância epidemiológica e combate à resistência antimicrobiana
As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) seguem entre os principais desafios da segurança do paciente nos hospitais brasileiros e exigem vigilância contínua das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH). Além do impacto clínico individual, essas infecções também geram consequências importantes para o sistema de saúde, com aumento do tempo de internação, elevação de custos hospitalares e maior demanda operacional tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na rede suplementar.
Estudos apontam que as infecções hospitalares podem prolongar a permanência do paciente internado em até duas semanas, reforçando a necessidade de estratégias permanentes de prevenção, monitoramento e resposta rápida aos eventos adversos.
Nesse contexto, a vigilância epidemiológica é uma ferramenta essencial para a gestão de risco dentro das instituições de saúde. O monitoramento contínuo e a notificação adequada dos casos permitem identificar padrões, implementar melhorias baseadas em evidências e fortalecer a segurança assistencial.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a higienização das mãos segue como a medida mais eficaz e de menor custo para prevenir infecções nos serviços de saúde, podendo reduzir significativamente as taxas de transmissão de microrganismos. Ao mesmo tempo, novas tecnologias vêm sendo incorporadas às estratégias de controle de infecção, como:
- identificação precoce de patógenos para isolamento assertivo;
- materiais que ajudam a reduzir a carga bacteriana em superfícies de alto contato;
- monitoramento tecnológico da adesão às normas de higiene e segurança.
A relação entre as infecções hospitalares e a resistência antimicrobiana
Outro desafio crescente é a relação direta entre as infecções hospitalares e a resistência antimicrobiana (RAM). Ambientes hospitalares sem monitoramento adequado podem favorecer a seleção e disseminação de microrganismos multirresistentes, comprometendo a eficácia dos tratamentos disponíveis.
Dados publicados na revista The Lancet mostram que a resistência bacteriana já representa uma das principais causas de mortalidade no mundo, superando doenças historicamente associadas a altos índices de mortes, como HIV e malária.
Nesse cenário, o controle de infecção hospitalar atua como uma das principais barreiras para conter a disseminação desses agentes, com objetivos como:
- prevenir a transmissão de patógenos entre pacientes e profissionais de saúde;
- reduzir a pressão seletiva sobre os microrganismos no ambiente hospitalar;
- preservar a eficácia dos antibióticos disponíveis.
O papel dos profissionais na prevenção
O trabalho de infectologistas, enfermeiros e equipes especializadas em controle de infecção é fundamental para garantir a segurança do paciente e a qualidade da assistência. Esses profissionais atuam na prevenção, no monitoramento epidemiológico, na capacitação das equipes de saúde e na resposta a surtos e eventos críticos.
Neste 15 de maio, a Sociedade Brasileira de Infectologia reforça seu compromisso com a educação continuada e com a valorização dos profissionais que atuam diariamente na prevenção das infecções relacionadas à assistência à saúde. O controle de infecções hospitalares é um trabalho contínuo, baseado em ciência, vigilância e responsabilidade com a vida.
Referências
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Brasil). Assistência Segura: Uma Reflexão Teórica Aplicada à Prática. Brasília: Anvisa, 2023.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Brasil). Relatórios de Vigilância Epidemiológica em Serviços de Saúde. Brasília: Anvisa, 2024.
MURRAY, Christopher J. L. et al. Global burden of bacterial antimicrobial resistance in 2019: a systematic analysis. The Lancet, [s. l.], v. 399, n. 10325, p. 629-655, 2022.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Global report on infection prevention and control. Genebra: WHO, 2022.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Prevenção e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde. Washington, D.C.: OPAS, 2024.
