Desenvolvida em parceria com a farmacêutica Valneva, vacina de dose única representa um marco no enfrentamento das arboviroses no país
O combate às arboviroses no Brasil ganha um novo aliado em 2026 com o avanço da implementação da vacina contra chikungunya. Desenvolvido em parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica franco-austríaca Valneva, o imunizante representa um importante avanço tecnológico para a saúde pública e é a primeira vacina contra chikungunya de vírus vivo atenuado aprovada no Brasil.
A chegada da vacina ocorre em um cenário de crescente preocupação com a doença no país. Além dos quadros febris agudos, a chikungunya pode provocar dores articulares intensas e persistentes, com impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes por meses ou até anos após a infecção.
Desenvolvimento e transferência de tecnologia
A parceria entre o Instituto Butantan e a Valneva foi firmada em abril de 2020, embora o desenvolvimento da vacina já estivesse em andamento anteriormente. Enquanto a Valneva liderou o desenvolvimento inicial do imunizante, o Butantan participou do co-desenvolvimento da vacina, conduzindo estudos em áreas endêmicas e recebendo a transferência de tecnologia para futura produção nacional.
No Brasil, a fase 3 dos estudos clínicos em adolescentes contou com a participação de 10 centros de pesquisa, contribuindo para a consolidação dos dados de segurança e imunogenicidade analisados pelas agências regulatórias.
Dose única e alta resposta imune
Segundo a Dra. Fernanda Boulos, diretora médica do Instituto Butantan, a vacina possui características que facilitam sua aplicação em larga escala. “A vacina contra chikungunya é uma vacina de vírus vivo atenuado, em dose única. Ela tem um perfil de segurança aceitável e confere proteção imune de 98,1% um ano após a vacinação”, destaca.
Atualmente, no Brasil, a vacina está indicada para pessoas entre 18 e 59 anos. Por se tratar de uma vacina de vírus vivo atenuado, existem restrições para alguns grupos, como idosos, imunocomprometidos, gestantes e pessoas com comorbidades descompensadas.
Estratégia piloto e expansão futura
A aplicação da vacina começou em cidades selecionadas pelo Ministério da Saúde, dentro de uma estratégia piloto de vacinação que segue os modelos já utilizados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) para outras vacinas.
Segundo a Dra. Fernanda, essa etapa não configura um estudo clínico, mas sim uma estratégia de saúde pública. Por isso, não haverá divulgação de dados de proteção específicos por município.
“A ampliação da imunização com essa vacina depende de uma decisão do PNI e do Ministério da Saúde sobre a incorporação definitiva da vacina e a definição das futuras estratégias de vacinação”, explica.
Monitoramento em vida real
Mesmo após o início da aplicação, o Instituto Butantan seguirá acompanhando o desempenho da vacina no cenário da vida real. Um estudo de efetividade será conduzido a partir do uso secundário de dados das bases públicas de saúde. Paralelamente, um estudo de segurança acompanhará grupos de vacinados para avaliação contínua dos eventos adversos e do comportamento do imunizante fora do ambiente controlado dos ensaios clínicos.
Além do Brasil, outros países também podem se beneficiar da vacina. O imunizante já foi aprovado por importantes agências regulatórias internacionais, como a EMA (Agência Europeia de Medicamentos) e a Health Canada, permitindo sua utilização em países regulados por essas autoridades sanitárias.
