O mês das mães também é uma oportunidade para reforçar um importante alerta de saúde pública: o acompanhamento pré-natal é fundamental para prevenir infecções que podem comprometer o desenvolvimento do bebê ainda durante a gestação.
No Brasil, a chamada transmissão vertical, quando vírus, bactérias ou parasitas são transmitidos da gestante para o bebê durante a gravidez, parto ou amamentação, ainda representa um desafio relevante para o sistema de saúde.
Muitas dessas infecções podem ser silenciosas, sem sintomas aparentes na mãe, mas capazes de provocar consequências graves para o recém-nascido, como alterações neurológicas, deficiência auditiva, problemas visuais, prematuridade e até óbito fetal ou neonatal.
Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico precoce continua sendo uma das principais estratégias para reduzir complicações e interromper a cadeia de transmissão.
A importância do pré-natal para gestantes
O pré-natal permite identificar precocemente infecções, iniciar o tratamento adequado da gestante e adotar medidas para reduzir o risco de transmissão para o bebê.
Além disso, em casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), o tratamento simultâneo do parceiro é essencial para evitar reinfecções e garantir maior eficácia terapêutica.
O acompanhamento adequado também possibilita monitorar o desenvolvimento fetal e orientar medidas preventivas importantes ao longo da gestação.
Infecções que exigem maior atenção
Algumas doenças demandam atenção especial das equipes de saúde devido à frequência e ao potencial de causar complicações neonatais.
Sífilis
A sífilis congênita segue como um importante problema de saúde pública no Brasil. O tratamento da gestante com penicilina é altamente eficaz, especialmente quando realizado de forma precoce e associado ao tratamento do parceiro.
HIV
A transmissão do HIV pode ocorrer durante a gestação, parto ou amamentação. Entretanto, a ampliação da testagem e o uso adequado da terapia antirretroviral permitem reduzir drasticamente o risco de transmissão vertical.
HTLV
O HTLV passou recentemente a integrar a lista nacional de doenças de notificação compulsória. Nos casos de transmissão vertical, a amamentação representa um dos principais fatores de risco. Por isso, quando há diagnóstico da gestante, é indicada a suspensão do aleitamento materno, com substituição por fórmulas infantis disponibilizadas pelo SUS.
Toxoplasmose e citomegalovírus (CMV)
A toxoplasmose e o citomegalovírus podem ocorrer de forma assintomática na gestante, o que reforça a importância da triagem durante o pré-natal.
O CMV é reconhecido como uma das principais causas infecciosas de surdez congênita, enquanto a toxoplasmose pode causar alterações neurológicas e oculares no bebê.
Hepatites virais
O acompanhamento pré-natal também é essencial para identificação das hepatites virais e adoção de medidas preventivas, como a vacinação contra hepatite B nas primeiras horas de vida do recém-nascido.
O SUS como aliado na prevenção
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece uma ampla estrutura de acompanhamento pré-natal, incluindo testagem, monitoramento e tratamento gratuito durante toda a gestação.
Entre as principais estratégias estão:
- realização de exames no primeiro e terceiro trimestres da gestação;
- tratamento adequado da gestante e do parceiro em casos de ISTs;
- orientação sobre medidas de higiene e alimentação segura;
- acompanhamento contínuo da saúde materno-fetal.
A adesão ao pré-natal e aos protocolos do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Infectologia é fundamental para reduzir a mortalidade infantil e prevenir sequelas evitáveis nos recém-nascidos.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Sífilis: Gestantes. Brasília, DF: Ministério da Saúde.
BRASIL. Ministério da Saúde. Hepatite E. Brasília, DF: Ministério da Saúde.
BRASIL. Ministério da Saúde. Prevenção à Transmissão Vertical. Brasília, DF: Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis.
BRASIL. Ministério da Saúde. Aids/HIV. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [202-?].
LEVIN, Myron J. Infecção por citomegalovírus (CMV). Kenilworth, NJ: Manual MSD (Versão para profissionais de saúde).
BRASIL. Ministério da Saúde. Hepatite B. Brasília, DF: Ministério da Saúde.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Boletim Epidemiológico da Sífilis. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Boletim Epidemiológico HIV/Aids. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024.
HU, J. et al. Global, regional, and national burden of toxoplasmosis from 1990 to 2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. Frontiers in Microbiology, [S. l.], v. 14, p. 1282218, nov. 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. HTLV. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [2024?].
BRASIL. Ministério da Saúde. Hepatite C. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024.
