No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, a Sociedade Brasileira de Infectologia reflete sobre uma conexão que influencia diretamente a saúde de todos nós: a relação entre seres humanos, animais, meio ambiente, condições de vida e informação. Enchentes, queimadas, desmatamento, perda da biodiversidade e eventos climáticos incrementais e extremos não são apenas questões ambientais. Eles afetam a forma como vivemos, trabalhamos, nos alimentamos, nos deslocamos e, consequentemente, impactam a ocorrência e a disseminação de doenças infecciosas. É justamente dessa compreensão que nasce o conceito de Saúde Única. A Saúde Única parte do princípio de que a saúde humana está profundamente conectada à saúde animal e ao equilíbrio dos ecossistemas. No entanto, essa abordagem vai além de uma simples visão integrada desses componentes. Trata-se de uma perspectiva transversal, que exige a colaboração entre diferentes áreas do conhecimento para compreender e enfrentar problemas complexos que não podem ser explicados por uma única disciplina. Médicos, veterinários, biólogos, ecologistas, epidemiologistas, cientistas sociais, profissionais da comunicação, gestores públicos, urbanistas, engenheiros, climatologistas e especialistas em tecnologia e dados, dentre outros, possuem papéis complementares na compreensão dos desafios sanitários contemporâneos. Essa característica torna a Saúde Única mais complexa, mas também ainda mais necessária. É fundamental compreender que doenças infecciosas não surgem nem se espalham apenas por características biológicas dos microrganismos: elas são influenciadas por fatores ambientais, sociais, econômicos, culturais e comportamentais que interagem de forma dinâmica e muitas vezes imprevisível. Por isso, a Saúde Única vem se consolidando como uma das principais bases conceituais da infectologia moderna. Nas últimas décadas, observamos um aumento na frequência e na complexidade de emergências sanitárias em todo o mundo. Mudanças ambientais têm favorecido a expansão de doenças transmitidas por vetores, como a dengue, alterado padrões epidemiológicos tradicionais e ampliado o risco de surgimento de novas zoonoses. Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos desafiam a capacidade de resposta dos sistemas de saúde. As enchentes favorecem a ocorrência de doenças como leptospirose, hepatite A, arboviroses e outras infecções relacionadas à contaminação da água. As queimadas e a poluição atmosférica aumentam a vulnerabilidade a infecções respiratórias, fragilizam organismos e agravam doenças pré-existentes. O desmatamento e a expansão de atividades humanas sobre áreas naturais ampliam o contato entre seres humanos, animais silvestres e agentes infecciosos antes restritos a determinados ecossistemas. Entretanto, compreender os desafios sanitários atuais exige olhar, de forma intencional e apurada, para outra dimensão fundamental: os determinantes sociais da saúde. Condições de moradia, acesso à água potável, saneamento básico, alimentação adequada, renda, escolaridade, acesso aos serviços de saúde e condições de trabalho influenciam diretamente o risco de adoecimento e a capacidade das pessoas de se protegerem diante das ameaças sanitárias. Os impactos das mudanças ambientais e climáticas, por exemplo, não são distribuídos de maneira igualitária na sociedade. Populações socialmente vulnerabilizadas costumam sofrer de forma mais intensa as consequências de enchentes, secas, ondas de calor, insegurança alimentar e exposição a doenças infecciosas. Isso significa que discutir Saúde Única também é discutir equidade. Além disso, um novo componente passou a desempenhar papel central na dinâmica das doenças: a informação. Vivemos em uma era em que notícias, opiniões, conteúdos científicos e desinformação circulam em velocidade sem precedentes e, muitas vezes, traduzidas com falsa equivalência. A forma como as pessoas recebem, interpretam e compartilham informações influencia diretamente comportamentos relacionados à saúde, como a adesão à vacinação, a busca por atendimento médico, a adoção de medidas de prevenção e a confiança nas instituições de saúde. Por essa razão, a comunicação tornou-se um elemento estratégico para a saúde pública e para a infectologia contemporânea. Hoje, compreender uma epidemia exige analisar não apenas a circulação de …
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Inscrições prorrogadas: bolsa de participação no AIDS 2026 (até 02/06)
Atendendo a solicitações, a Sociedade Brasileira de Infectologia prorrogou o prazo para submissão das candidaturas à bolsa de participação no AIDS 2026. O formulário poderá ser enviado até amanhã, 02 de junho de 2026 (terça-feira), às 23h59. A inscrição deverá ser encaminhada para o e-mail sbi@infectologia.org.br, com o formulário devidamente preenchido e anexado à mensagem. Assunto do e-mail: Bolsa AIDS 2026 Ressaltamos que candidaturas enviadas após o prazo estabelecido não poderão ser consideradas. Para mais informações sobre os critérios e o processo de seleção, consulte o regulamento da bolsa de participação no AIDS 2026. Clique aqui para baixar o formulário.
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Notícias SBI e FederadasNotícias
Rio de Janeiro sediará o AIDS 2026, a maior conferência mundial sobre HIV e AIDS
Com o tema “Repensar. Reconstruir. Ascender.”, a 26ª Conferência Internacional sobre a AIDS será realizada no Brasil entre os dias 26 e 31 de julho de 2026 A cidade do Rio de Janeiro será sede da AIDS 2026, a 26ª Conferência Internacional sobre a AIDS, organizada pela International AIDS Society. Considerado o principal encontro global dedicado ao HIV e à AIDS, o evento ocorrerá entre os dias 26 e 31 de julho de 2026 e reunirá cientistas, médicos, ativistas, gestores públicos e comunidades de pessoas vivendo com HIV de diferentes países. Com o tema “Repensar. Reconstruir. Ascender.”, a conferência acontece em um momento considerado decisivo para a resposta global ao HIV, marcado por desafios relacionados ao financiamento internacional e à sustentabilidade das políticas públicas de enfrentamento da epidemia. A edição de 2026 propõe debates sobre os impactos da crise global de financiamento em saúde, intensificada após a suspensão de parte da ajuda externa dos Estados Unidos no início de 2025. O cenário tem levantado preocupações sobre possíveis retrocessos no acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento em diversos países. A realização da conferência no Brasil representa um marco para a América Latina e fortalece a troca de experiências, estratégias e avanços científicos entre profissionais e instituições do continente. Detalhes do evento: Avanços científicos e desafios para a sustentabilidade da resposta ao HIV Mais de quatro décadas de enfrentamento ao HIV transformaram a infecção em uma condição controlável para pessoas com acesso adequado ao tratamento. Segundo dados da UNAIDS, até o final de 2024, as mortes relacionadas à AIDS caíram 54%, enquanto as novas infecções diminuíram 40% desde 2010. Os tratamentos atuais permitem que pessoas vivendo com HIV atinjam carga viral indetectável, portanto, são intransmissíveis por vias sexuais, conceito conhecido como I=I (Indetectável = Intransmissível). Além disso, avanços recentes ampliaram as possibilidades de prevenção com medicamentos de longa duração altamente eficazes, como lenacapavir e cabotegravir, além de novas tecnologias de prevenção oral em fase final de desenvolvimento. Apesar dos avanços científicos, os indicadores globais ainda preocupam. Dados da UNAIDS mostram que, em 2023 e 2024, aproximadamente 1,3 milhão de pessoas contraíram HIV a cada ano, enquanto cerca de 630 mil morreram de causas relacionadas à AIDS. No mesmo período, 9,2 milhões de pessoas vivendo com HIV permaneciam sem acesso aos medicamentos essenciais. As desigualdades sociais, barreiras estruturais e situações de discriminação seguem entre os principais fatores que dificultam o acesso à prevenção e ao tratamento em diferentes regiões do mundo. Diante desse cenário, a sustentabilidade financeira da resposta ao HIV será um dos temas centrais da AIDS 2026. A conferência deve discutir caminhos para ampliar o financiamento interno dos países, otimizar investimentos e fortalecer políticas públicas sustentáveis, evitando retrocessos nos avanços conquistados nas últimas décadas. Mais informações sobre o evento e sua programação estão disponíveis no portal oficial: https://www.iasociety.org/conferences/aids2026 SBI viabiliza a participação de associados A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) viabilizará a participação de infectologistas brasileiros com atuação direta em assistência, prevenção, pesquisa e ensino em HIV/aids na 26ª International AIDS Conference. A ação se deve ao uso de verba solicitada pela SBI à GSK-ViiV para este fim, que está dentro do escopo da educação médica continuada. Para participar, acesse: Concorra a bolsa de participação na AIDS 2026 – SBI
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Confira o e-book “Copa do Mundo FIFA 2026: Recomendações do Comitê de Medicina de Viagem”, reunindo orientações do planejamento pré-viagem ao retorno para uma viagem mais segura.
A Copa do Mundo FIFA 2026 será realizada entre 11 de junho e 19 de julho, com jogos nos Estados Unidos, Canadá e México. Diante do deslocamento internacional de grande volume de pessoas, da concentração de viajantes em eventos de massa e da diversidade epidemiológica dos países-sede, a preparação em saúde deve integrar o planejamento da viagem. A Sociedade Brasileira de Infectologia, por meio do Comitê de Medicina de Viagem, elaborou uma nota técnica com recomendações para viajantes, profissionais de saúde e serviços envolvidos na orientação pré-viagem. O documento reúne orientações sobre avaliação médica antes do embarque, atualização do calendário vacinal, prevenção de infecções respiratórias, segurança alimentar, diarreia do viajante, exposição a vetores e animais, prevenção de raiva e mordeduras, doenças transmitidas por carrapatos, cuidados relacionados a calor, multidões e segurança, infecções sexualmente transmissíveis, medicamentos para o kit de viagem e sinais de alerta após o retorno. A SBI reforça que a consulta pré-viagem deve ser realizada preferencialmente entre 4 e 8 semanas antes da partida, com avaliação individualizada conforme idade, comorbidades, gestação, imunossupressão, situação vacinal, itinerário, duração da viagem, tipo de hospedagem e atividades previstas. Mesmo quando a viagem está próxima, a avaliação médica ainda permite priorizar medidas essenciais, orientar condutas preventivas e reduzir riscos evitáveis. O material não substitui consulta médica individual. Recomendações sobre vacinas, profilaxias e cuidados em saúde devem ser definidas caso a caso, a partir do binômio viagem-viajante. Elaboração técnica: Andrey Biff Sarris, Antônio Camargo Martins, Clarissa Barros Madruga, Lessandra Michelin, Marcellus Dias da Costa, Mariana Margarita Martinez Quiroga, Pasesa Pascuala Quispe Torrez e Tânia do Socorro Souza Chaves, membros do Comitê de Medicina de Viagem da SBI. Revisão e aprovação: Karen Mirna Loro Morejón, diretora de Comunicação; André Bon Fernandes da Costa, coordenador dos Comitês de Medicina de Viagem, Medicina Tropical e Arboviroses; Tânia do Socorro Souza Chaves, presidente do Comitê de Medicina de Viagem; e Karis Marinho de Pinha Rodrigues, vice-presidente do Comitê de Medicina de Viagem. Confira o material completo da SBI e viaje com segurança:
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Florence Nightingale: protagonismo feminino na prevenção de infecção, enfermagem, epidemiologia e reformas de serviços de saúde
Florence Nightingale (1820–1910) é amplamente conhecida como a fundadora da enfermagem contemporânea e que também alcançou resultados inéditos na prevenção de infecção hospitalar.
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Notícias SBI e Federadas
IV Simpósio de Stewardship com foco na gestão de antimicrobianos ocorrerá no Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Evento reunirá especialistas e profissionais de saúde para discutir estratégias de uso de medicamentos, otimização de tratamentos e combate à resistência bacteriana O IV Simpósio de Stewardship: Antimicrobianos está com inscrições abertas e reunirá profissionais da área da saúde, médicos e pesquisadores para discutir os principais avanços, diretrizes e as melhores práticas na gestão de uso de antimicrobianos. O evento acontecerá no sábado, dia 30 de maio de 2026, das 08h00 às 16h30, no Auditório do Bloco E do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (Unidade Paulista), em São Paulo. Sob a coordenação do Dr. Filipe Piastrelli, de Paula de Almeida e de Paula Cazzonatto Zerwes, o simpósio se destaca por sua abordagem prática. Com o tema central “Desafios do Stewardship na UTI”, o encontro promove o debate e a atualização científica em torno de estratégias fundamentais para otimizar o tratamento de infecções, reduzir o avanço da resistência bacteriana e melhorar diretamente os desfechos clínicos dos pacientes no ambiente hospitalar. A programação científica contará com especialistas de referência, que conduzirão painéis voltados para a rotina diária das unidades de terapia intensiva. Entre os principais destaques e debates previstos, estão: Como forma de valorizar e incentivar o aprimoramento técnico de sua comunidade, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) mantém uma parceria que garante uma condição especial para os seus associados. Os membros da SBI têm direito a um benefício exclusivo de 20% de desconto no valor da inscrição. Para garantir o desconto, basta selecionar a categoria “Sociedades” na compra do ingresso no link:Membros SBI com 20% de descontoTodos os participantes do evento receberão um certificado, que será emitido 30 dias após a realização das atividades. Para acompanhar as demais novidades e atualizações sobre as atividades de ensino do hospital, siga o Instagram @ensinhospitaloswaldcruz.
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Brasil avança na implementação da vacinação contra Chikungunya: conheça os detalhes do imunizante produzido pelo Butantan
Desenvolvida em parceria com a farmacêutica Valneva, vacina de dose única representa um marco no enfrentamento das arboviroses no país O combate às arboviroses no Brasil ganha um novo aliado em 2026 com o avanço da implementação da vacina contra chikungunya. Desenvolvido em parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica franco-austríaca Valneva, o imunizante representa um importante avanço tecnológico para a saúde pública e é a primeira vacina contra chikungunya de vírus vivo atenuado aprovada no Brasil. A chegada da vacina ocorre em um cenário de crescente preocupação com a doença no país. Além dos quadros febris agudos, a chikungunya pode provocar dores articulares intensas e persistentes, com impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes por meses ou até anos após a infecção. Desenvolvimento e transferência de tecnologia A parceria entre o Instituto Butantan e a Valneva foi firmada em abril de 2020, embora o desenvolvimento da vacina já estivesse em andamento anteriormente. Enquanto a Valneva liderou o desenvolvimento inicial do imunizante, o Butantan participou do co-desenvolvimento da vacina, conduzindo estudos em áreas endêmicas e recebendo a transferência de tecnologia para futura produção nacional. No Brasil, a fase 3 dos estudos clínicos em adolescentes contou com a participação de 10 centros de pesquisa, contribuindo para a consolidação dos dados de segurança e imunogenicidade analisados pelas agências regulatórias. Dose única e alta resposta imune Segundo a Dra. Fernanda Boulos, diretora médica do Instituto Butantan, a vacina possui características que facilitam sua aplicação em larga escala. “A vacina contra chikungunya é uma vacina de vírus vivo atenuado, em dose única. Ela tem um perfil de segurança aceitável e confere proteção imune de 98,1% um ano após a vacinação”, destaca. Atualmente, no Brasil, a vacina está indicada para pessoas entre 18 e 59 anos. Por se tratar de uma vacina de vírus vivo atenuado, existem restrições para alguns grupos, como idosos, imunocomprometidos, gestantes e pessoas com comorbidades descompensadas. Estratégia piloto e expansão futura A aplicação da vacina começou em cidades selecionadas pelo Ministério da Saúde, dentro de uma estratégia piloto de vacinação que segue os modelos já utilizados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) para outras vacinas. Segundo a Dra. Fernanda, essa etapa não configura um estudo clínico, mas sim uma estratégia de saúde pública. Por isso, não haverá divulgação de dados de proteção específicos por município. “A ampliação da imunização com essa vacina depende de uma decisão do PNI e do Ministério da Saúde sobre a incorporação definitiva da vacina e a definição das futuras estratégias de vacinação”, explica. Monitoramento em vida real Mesmo após o início da aplicação, o Instituto Butantan seguirá acompanhando o desempenho da vacina no cenário da vida real. Um estudo de efetividade será conduzido a partir do uso secundário de dados das bases públicas de saúde. Paralelamente, um estudo de segurança acompanhará grupos de vacinados para avaliação contínua dos eventos adversos e do comportamento do imunizante fora do ambiente controlado dos ensaios clínicos. Além do Brasil, outros países também podem se beneficiar da vacina. O imunizante já foi aprovado por importantes agências regulatórias internacionais, como a EMA (Agência Europeia de Medicamentos) e a Health Canada, permitindo sua utilização em países regulados por essas autoridades sanitárias.
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SBI divulga nota técnica com orientações de saúde para brasileiros que viajarão à Copa do Mundo FIFA 2026
Documento da Sociedade Brasileira de Infectologia reúne recomendações sobre vacinação, prevenção de doenças infecciosas e cuidados em grandes aglomerações para brasileiros que viajarão à Copa do Mundo FIFA 2026. A Sociedade Brasileira de Infectologia publicou uma nota técnica com recomendações para brasileiros que pretendem acompanhar a Copa do Mundo FIFA 2026, que será realizada entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México. Elaborado pelo Comitê Científico de Medicina de Viagem da SBI, o documento traz orientações sobre vacinação, prevenção de doenças infecciosas, alimentação segura, proteção contra doenças transmitidas por vetores, saúde sexual e cuidados relacionados ao calor extremo e às grandes aglomerações. Segundo a entidade, eventos de massa aumentam o risco de transmissão de doenças respiratórias, gastrointestinais e infecções sexualmente transmissíveis, além de favorecerem situações relacionadas à superlotação, acidentes e dificuldades no acesso aos serviços de saúde. A SBI recomenda que viajantes realizem consulta médica pré-viagem idealmente entre quatro e oito semanas antes do embarque. A avaliação permite atualizar o calendário vacinal, revisar condições clínicas e orientar medidas preventivas conforme o roteiro e o perfil do viajante. Entre as principais vacinas recomendadas estão influenza, COVID-19, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), dT ou dTpa, poliomielite e vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), de acordo com faixa etária e fatores de risco. Para alguns destinos e atividades específicas, também pode haver indicação individualizada de vacinas contra hepatite A, hepatite B, febre tifóide e raiva. A nota técnica também chama atenção para o aumento global dos casos de sarampo e reforça a importância da vacinação antes da viagem, especialmente em contextos de grande circulação internacional. Outro destaque do documento é a prevenção da chamada diarreia do viajante, agravo frequente em deslocamentos internacionais. A recomendação é evitar água e gelo de procedência desconhecida, consumir alimentos bem cozidos e manter rigorosa higiene das mãos. A entidade alerta ainda para doenças transmitidas por vetores, especialmente em regiões do México com registro de febre maculosa. O uso de repelentes aprovados pela Anvisa, roupas compridas e inspeção corporal após atividades ao ar livre estão entre as medidas preventivas recomendadas. Como a competição ocorrerá durante o verão no hemisfério norte, a SBI orienta atenção especial aos riscos relacionados ao calor excessivo e à desidratação. Hidratação frequente, planejamento de pausas e reconhecimento precoce de sinais de exaustão térmica são algumas das medidas indicadas. A nota técnica também aborda cuidados com infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), reforçando a importância do uso de preservativos, realização de testagem e busca rápida por atendimento em situações de exposição de risco. Além disso, a SBI recomenda que os viajantes levem uma “farmacinha do viajante”, contendo medicamentos de uso contínuo, analgésicos, antitérmicos, sais de reidratação oral, repelente, protetor solar e itens básicos de primeiros socorros. O documento destaca ainda que sintomas como febre, diarreia persistente, lesões de pele ou manifestações respiratórias após o retorno ao Brasil devem motivar avaliação médica, com informação detalhada sobre os países visitados e datas da viagem. A nota técnica foi elaborada pelos membros do Comitê Científico de Medicina de Viagem da SBI e é assinada pelo presidente da entidade, Ricardo Sobhie Diaz. Acesse aqui.
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Muito além da PrEP: a importância da vacina contra o HIV/Aids
No Dia de Conscientização sobre a Necessidade de Vacina Contra o HIV/Aids, SBI reforça que imunizante segue como esperança para o controle definitivo da epidemia Mais de quatro décadas após os primeiros casos de HIV/Aids serem identificados no mundo, a busca por uma vacina preventiva contra o vírus continua sendo um dos maiores desafios da ciência. Mesmo com os avanços históricos no tratamento e nas estratégias de prevenção, especialistas alertam que o controle definitivo da epidemia ainda depende do desenvolvimento de um imunizante seguro e eficaz. No Dia de Conscientização sobre a Necessidade de Vacina Contra o HIV/Aids, celebrado em 18 de maio, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) destaca que os avanços recentes da biotecnologia têm renovado as perspectivas para a criação de uma vacina capaz de reduzir a transmissão do vírus em escala global. O avanço da Terapia Antirretroviral (TARV), aliado à ampliação da Prevenção Combinada, que inclui o uso de preservativos, a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), transformou profundamente o cenário do HIV. Hoje, pessoas vivendo com HIV que realizam tratamento adequado podem ter qualidade de vida e não transmitem o vírus sexualmente, conceito conhecido como “I = I” (Indetectável = Intransmissível). Ainda assim, os números seguem preocupantes. Estima-se que cerca de 40 milhões de pessoas vivam com HIV no mundo, enquanto mais de 1 milhão de novas infecções continuam sendo registradas anualmente. No Brasil, embora o Sistema Único de Saúde (SUS) seja referência internacional no acesso universal ao tratamento, os boletins epidemiológicos mostram a persistência de novos casos, especialmente entre populações em situação de maior vulnerabilidade. “A PrEP representa um dos maiores avanços da prevenção do HIV nas últimas décadas, mas nenhuma estratégia isolada será suficiente para controlar definitivamente a epidemia. A vacina continua sendo o caminho com maior potencial de impacto coletivo e global”, afirma Ricardo Sobhie Diaz, médico infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Por que desenvolver uma vacina contra o HIV é tão difícil? Diferentemente de outros vírus, como Influenza ou SARS-CoV-2, o HIV apresenta características biológicas que dificultam enormemente o desenvolvimento de uma vacina eficaz. O vírus sofre mutações de forma extremamente rápida, gerando inúmeras variantes em um curto período de tempo. Além disso, ele infecta justamente as células responsáveis pela coordenação da resposta imunológica, os linfócitos T CD4+, comprometendo o próprio sistema de defesa que a vacina tentaria estimular. Outro desafio é a formação precoce dos chamados reservatórios virais: células infectadas onde o HIV permanece “escondido” e praticamente invisível ao sistema imunológico. “O HIV continua sendo um dos maiores desafios científicos da história da medicina porque consegue atacar justamente as células responsáveis pela defesa do organismo. Isso torna o desenvolvimento de uma vacina muito mais complexo do que em outras infecções virais”, explica Diaz. Nova geração de pesquisas reacende esperança Apesar das dificuldades, os avanços tecnológicos dos últimos anos abriram novas possibilidades para a pesquisa de vacinas contra o HIV. Uma das estratégias mais promissoras é conhecida como Germline Targeting, abordagem que busca “treinar” o sistema imunológico gradualmente para produzir os chamados anticorpos amplamente neutralizantes (bNAbs), capazes de reconhecer regiões do vírus que sofrem poucas mutações. Além disso, plataformas de RNA mensageiro (mRNA), popularizadas durante a pandemia de COVID-19, também vêm sendo estudadas como ferramenta para acelerar o desenvolvimento de imunizantes contra o HIV. Atualmente, dezenas de ensaios clínicos estão em andamento em diferentes países, avaliando tanto vacinas preventivas quanto vacinas terapêuticas, voltadas para pessoas que já vivem com o vírus. No Brasil, uma das pesquisas de destaque é conduzida na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz. O estudo investiga …
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Comunicado da SBI sobre declaração de emergência da OMS para Ebola
A Sociedade Brasileira de Infectologia acompanha com preocupação a declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS) que classificou o atual surto de Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (PHEIC, na sigla em inglês). O surto é causado pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara do Ebola para a qual não há vacinas ou terapias específicas aprovadas até o momento. Segundo a OMS, até 16 de maio de 2026 foram registrados oito casos confirmados laboratorialmente, 246 casos suspeitos e ao menos 80 mortes suspeitas na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo. Também foram confirmados casos importados em Kampala, capital de Uganda, evidenciando transmissão internacional. A SBI ressalta que a declaração de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional não significa que há uma pandemia em curso, mas indica a necessidade de coordenação global, fortalecimento da vigilância epidemiológica e apoio internacional imediato para conter a disseminação da doença. Entre os fatores que aumentam a preocupação das autoridades sanitárias estão: O Ebola é uma doença viral grave, transmitida principalmente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou superfícies contaminadas. Os sintomas incluem febre, fraqueza intensa, vômitos, diarreia e manifestações hemorrágicas. A letalidade pode variar conforme a cepa viral e a capacidade de resposta dos sistemas de saúde. A SBI reforça a importância de vigilância ativa em portos, aeroportos e serviços de saúde, especialmente para identificação precoce de viajantes provenientes de áreas afetadas que apresentem sintomas compatíveis. Também destaca a necessidade de capacitação contínua das equipes de saúde para manejo clínico, uso adequado de equipamentos de proteção individual e protocolos de prevenção e controle de infecções. Neste momento, não há registro de casos no Brasil. O risco para a população brasileira permanece baixo, mas o cenário exige monitoramento constante pelas autoridades sanitárias nacionais e internacionais. A Sociedade Brasileira de Infectologia seguirá acompanhando a evolução epidemiológica do surto e reforça seu compromisso com a disseminação de informações científicas confiáveis e atualizadas para profissionais de saúde e para a sociedade.
