As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) estão entre os principais desafios da segurança do paciente em hospitais e serviços de saúde. Associadas ao aumento do tempo de internação, da mortalidade hospitalar e da resistência bacteriana, essas infecções representam um impacto importante para pacientes e para o sistema de saúde brasileiro.
As IRAS são infecções adquiridas durante o atendimento em serviços de saúde, incluindo hospitais, clínicas e unidades de pronto atendimento. Em geral, manifestam-se após 48 horas da internação ou mesmo após a alta, quando relacionadas a procedimentos realizados durante o período de assistência.
Infecções mais frequentes
Segundo dados monitorados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e pelo Ministério da Saúde, as infecções mais frequentes estão associadas a dispositivos invasivos e procedimentos hospitalares.
Entre as principais estão:
- infecção primária de corrente sanguínea (IPCS), geralmente relacionada ao uso de cateteres;
- pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV);
- infecção do trato urinário (ITU), frequentemente associada ao uso de sonda vesical;
- e infecção de sítio cirúrgico (ISC).
Impactos das IRAS no sistema de saúde
Além dos riscos clínicos aos pacientes, as IRAS aumentam significativamente os custos assistenciais e pressionam a capacidade hospitalar.
Pacientes acometidos por essas infecções costumam permanecer mais tempo internados, demandam maior uso de antibióticos e frequentemente necessitam de cuidados intensivos.
Outro ponto crítico é a resistência bacteriana. O uso inadequado ou excessivo de antimicrobianos favorece o surgimento de bactérias resistentes, tornando infecções comuns progressivamente mais difíceis de tratar.
O papel da infectologia e das CCIHs
O enfrentamento das IRAS envolve atuação multiprofissional coordenada, especialmente por meio das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIHs), obrigatórias em hospitais brasileiros.
Os infectologistas atuam diretamente na vigilância epidemiológica, identificação precoce de surtos, elaboração de protocolos assistenciais e gestão do uso racional de antibióticos — estratégia conhecida como stewardship antimicrobiano.
Além disso, as equipes promovem treinamento contínuo dos profissionais de saúde sobre medidas de prevenção e segurança assistencial.
Higienização das mãos segue como principal medida preventiva
Entre todas as estratégias de prevenção, a higienização das mãos continua sendo considerada a mais simples, eficaz e acessível.
A recomendação é que a higiene seja realizada com água e sabão ou preparação alcoólica a 70%, seguindo os “5 momentos para higiene das mãos” preconizados pela Organização Mundial da Saúde:
- antes do contato com o paciente;
- antes da realização de procedimentos;
- após risco de exposição a fluidos corporais;
- após contato com o paciente;
- e após contato com superfícies próximas ao paciente.
Participação de pacientes e familiares também é importante
A prevenção das IRAS depende do envolvimento de profissionais, gestores, pacientes e acompanhantes.
Entre as orientações recomendadas aos visitantes estão:
- higienizar as mãos ao entrar e sair do quarto;
- evitar tocar em cateteres, sondas e outros dispositivos;
- e não sentar na cama do paciente.
O uso correto de equipamentos de proteção individual (EPIs), aliado à limpeza e esterilização adequada de materiais e ambientes, também é fundamental para reduzir o risco de transmissão de microrganismos.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS) 2021-2025. Brasília, DF: ANVISA, 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília, DF: ANVISA, 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Critérios Diagnósticos das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde. Brasília, DF: ANVISA, 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Boletim Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. Brasília, DF: ANVISA, 2024.
Organização Mundial da Saúde. WHO guidelines on hand hygiene in health care. Geneva: WHO, 2009.
Organização Mundial da Saúde. Global report on infection prevention and control. Geneva: WHO, 2022.
Organização Pan-Americana da Saúde. Prevenção e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde. Washington, D.C.: OPAS, 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Higienização das mãos em serviços de saúde. Brasília, DF: ANVISA, 2007.
SOCIETY FOR HEALTHCARE EPIDEMIOLOGY OF AMERICA (SHEA); INFECTIOUS DISEASES SOCIETY OF AMERICA (IDSA). Strategies to prevent healthcare-associated infections in acute-care hospitals. Infection Control & Hospital Epidemiology, Chicago, v. 35, n. 8, p. 967-977, 2014.
