A Sociedade Brasileira de Infectologia acaba de lançar a campanha “A presença da Infectologia no Brasil”, a iniciativa busca compreender a realidade da especialidade além dos grandes centros, entendendo que defender a categoria exige identificar onde o infectologista está presente e onde sua atuação é mais urgente.
O projeto visa transformar a vivência de cada profissional, das capitais ao interior, como argumento para a agenda de advocacy e de valorização dos infectologistas.
As desigualdade territoriais no Brasil e o papel do infectologista frente a isso
Os dados da Demografia Médica no Brasil 2025 revelam um cenário que impacta diretamente a saúde pública. Atualmente, contamos com 4.801 infectologistas no país, o que representa uma média nacional de 2,26 especialistas por 100 mil habitantes. No entanto, a distribuição desses profissionais reflete um cenário de grande desigualdade da Infectologia no Brasil:
- 65,3% dos especialistas estão concentrados nos grandes centros.
- Há uma escassez no interior profundo (municípios de até 100 mil habitantes), apenas 0,3% dos infectologistas atuam nesses locais.
- Enquanto o Sudeste possui uma densidade de 3,03 infectologistas por 100 mil habitantes, o Nordeste conta com apenas 1,40 e o Norte com 1,60.
A infectologia é indispensável para o sistema de saúde, atuando não apenas na clínica, como também na vigilância epidemiológica, no controle de infecções hospitalares e na resposta a surtos e pandemias.
Eduardo Medeiros, médico infectologista e membro da SBI, alerta que a ausência desses especialistas em certas regiões eleva o risco de diagnósticos tardios e disseminação de doenças. “A distribuição dos infectologistas reflete diretamente a nossa capacidade de resposta a crises sanitárias. Onde esses profissionais não estão, há maior risco”, afirma Medeiros.
A feminização e transformação do perfil do infectologista
Ao mesmo tempo, a especialidade acompanha mudanças importantes no perfil da medicina brasileira. Somos uma das especialidades que mais reflete a feminização da medicina: a presença feminina saltou de 41% em 2010 para 50,9% em 2025, com projeções de que as mulheres irão representar 56% da força de trabalho até 2035. A infectologia reflete esse movimento, com presença crescente de mulheres e profissionais mais jovens.
Próximas iniciativas visando a transformação social
- Em 2026 temos o lançamento do Hub Online SBI, um painel de escuta ativa em que os profissionais relatam impossibilidades nos fluxos assistenciais, desafios logísticos e sua percepção de representação no debate nacional.
- Em 2027 os dados coletados fundamentarão posicionamentos técnicos e ações de advocacy junto a órgãos de gestão e ao Governo Federal.
O objetivo central é que o dado estatístico deixe de ser apenas um número e se torne uma forma de argumentar para valorizar o infectologista. Com essa campanha, a SBI reforça que escutar os profissionais e entender suas diferentes realidades é um gesto de transparência e defesa da especialidade.
Os profissionais podem acessar o site oficial da campanha: A Presença da Infectologia no Brasil e contribuir para o diagnóstico de todo território nacional.
Referências
SCHEFFER, Mário (coord.). Demografia Médica no Brasil 2025. São Paulo, SP: FMUSP, AMB, 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Usuários de plano de saúde têm mais acesso a cirurgias do que pacientes do SUS, aponta Demografia Médica 2025. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025.
