O Rio Grande do Sul enfrenta, atualmente, um dos cenários mais preocupantes do Brasil em relação ao HIV/Aids. Diante dessa emergência de saúde pública, o lançamento da “Carta de Porto Alegre: Aliança Gaúcha pelo Enfrentamento do HIV” surge como um movimento coletivo essencial para combater o avanço da epidemia. O documento propõe uma integração de esforços orientada pelas melhores evidências científicas, colocando as pessoas no centro da resposta, com foco na dignidade, empatia e equidade.
Apresentada em 23 de maio de 2026, durante a realização do 7º InfectoTchê, a iniciativa foi formalizada pela Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI). O projeto representa um compromisso coletivo com a vida e com a ciência, contando com o apoio de diversas entidades, incluindo a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e representantes como o Fórum ONG Aids RS e o GAPA-RS.
Números expõem a urgência de respostas coordenadas
Os dados epidemiológicos gaúchos justificam a intensa mobilização do setor de saúde. O estado registra uma taxa de mortalidade por Aids de 7,3 óbitos por 100 mil habitantes, número expressivamente superior à média nacional, que é de 3,4.

Na Região Metropolitana, a situação é ainda mais crítica. A prevalência do HIV na população de Porto Alegre alcança a marca de 1,64%, ultrapassando o limite de 1% estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como indicador de controle da epidemia. Apenas no ano de 2024, a capital gaúcha concentrou cerca de 43% de todos os novos casos do estado, somando mais de 1.300 novos diagnósticos.

Prevenção combinada e diagnóstico precoce como pilares
Para mudar o curso da epidemia, a Carta de Porto Alegre busca fortalecer e ampliar o acesso às prevenções e medicamentos mais eficazes disponíveis no sistema de saúde. O foco central das ações inclui a testagem universal, o diagnóstico precoce e o tratamento imediato.
Além disso, a aliança ressalta a importância da chamada prevenção combinada. Esse modelo engloba tanto os métodos tradicionais de barreira quanto as inovações farmacológicas, como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) na modalidade oral e a PrEP injetável de longa duração, tecnologias que têm demonstrado alta eficácia na redução de novas infecções quando integradas a políticas públicas bem estruturadas.
Desigualdade social afeta a dinâmica da doença
A análise do panorama estadual evidencia que a epidemia de HIV/aids atinge, de forma desproporcional, as populações mais vulnerabilizadas. As estatísticas mostram que 62% dos óbitos por aids ocorrem entre pessoas negras, população que frequentemente sofre com diagnósticos tardios e maior mortalidade.
Fatores como o racismo, a pobreza e a dimensão territorial criam barreiras severas ao acesso aos serviços. A transmissão concentra-se fortemente em territórios periféricos da região metropolitana e no Sul do estado, apresentando ainda impacto significativo entre mulheres e heterossexuais.
Diante desse cenário, a articulação reforça que o combate ao HIV vai além da incorporação de novas tecnologias. Trata-se de uma resposta entre diversos setores, que exige o enfrentamento das desigualdades socioeconômicas e do estigma histórico que ainda impacta o cotidiano das pessoas que vivem com HIV.
Participe desta mobilização
O enfrentamento da epidemia exige o envolvimento de toda a sociedade. Para conhecer o documento na íntegra e apoiar oficialmente essa iniciativa, acesse o link para ler e assinar a Carta de Porto Alegre.
