As hepatites virais são infecções que comprometem o fígado e representam um grande desafio de saúde pública devido à sua natureza silenciosa. Especialmente nos casos das hepatites B e C, os vírus podem permanecer no organismo por muitos anos sem causar qualquer sintoma. Na maior parte das vezes, os pacientes só descobrem a infecção quando surgem complicações graves, como cirrose, insuficiência hepática ou câncer de fígado.
O Brasil vem avançando no enfrentamento dessas doenças por meio da ampliação do acesso à vacinação, ao diagnóstico e ao tratamento. Atualmente, o maior objetivo é acelerar a identificação dos casos ocultos, passo fundamental para contribuir com a meta global de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até o ano de 2030.
Para entender os caminhos que levam a essa eliminação, é fundamental conhecer os três pilares essenciais no combate às hepatites virais.
Vacinação como a melhor forma de prevenção
A prevenção é a ferramenta mais eficaz para evitar a disseminação dos vírus, e o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece cuidado integral e imunização gratuita para toda a população.
As vacinas são o principal meio de proteção:
- Hepatite B e D: a vacina contra a hepatite B está disponível gratuitamente na rede pública de saúde. Como o vírus da hepatite D só causa infecção na presença do vírus B, essa mesma vacina protege contra ambas as doenças.
- Hepatite A: a vacina contra a hepatite A faz parte do calendário nacional de vacinação infantil, estando disponível também para pacientes imunossuprimidos.
Diagnóstico é disponibilizado com testagem rápida e acessível
Tendo em vista que as doenças não costumam dar sinais prévios, a busca ativa é essencial. É nesse contexto que o Comitê de Hepatites Virais da SBI promove a campanha “Brasil de Ponta a Ponta”. A iniciativa foca na ampliação do diagnóstico na Atenção Primária à Saúde, reforçando que as Unidades Básicas de Saúde (UBS) são a porta de entrada para a identificação precoce das hepatites A, B, C e D.
Qualquer pessoa pode procurar uma UBS para solicitar a realização do teste rápido para hepatites B e C. O exame:
- é totalmente gratuito e seguro;
- é realizado por meio de uma pequena coleta de sangue na ponta do dedo;
- tem o resultado liberado em cerca de 30 minutos.
A médica infectologista Tania Reuter, membro da SBI, destaca a urgência de ampliar essa testagem para interromper a cadeia de transmissão. “Uma pessoa pode conviver com o vírus durante décadas sem sintomas, enquanto o fígado sofre agressões progressivas que podem evoluir para cirrose ou câncer”, alerta a médica. “Quando levamos o teste rápido para a rotina da UBS, conseguimos identificar pessoas que estavam fora do cuidado”.
Quem deve priorizar o teste?
Embora a recomendação seja de que pessoas que nunca realizaram o teste procurem uma UBS, a testagem para as hepatites B e C é especialmente importante para indivíduos com fatores de risco. Isso inclui:
- Pessoas com histórico de transfusão de sangue antes de 1993.
- Indivíduos com tatuagens ou piercings realizados sem condições adequadas de segurança.
- Pessoas expostas a outras situações de risco de contaminação.
Tratamento que objetiva a cura e o controle
O diagnóstico precoce é o que permite iniciar o acompanhamento médico adequado, proteger o fígado de danos irreversíveis e reduzir a transmissão na sociedade. “Para tratar, é preciso primeiro diagnosticar”, reforça a Dra. Tania Reuter.
Uma vez diagnosticado, o paciente encontra no SUS tratamentos modernos e eficazes:
- Hepatite C: a doença pode ser eliminada com antivirais de ação direta por via oral, que apresentam taxas de cura superiores a 95%.
- Hepatite B: o SUS disponibiliza medicamentos e tratamentos capazes de reduzir a atividade do vírus, controlar a infecção e evitar as complicações hepáticas.
A eliminação das hepatites virais é possível, mas exige a participação ativa da população. Buscar os postos de saúde para realizar os testes rápidos e completar o esquema vacinal são passos que cabem a todos os indivíduos.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Hepatites Virais. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.].
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Hepatitis. Geneva: WHO, [s.d.].
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Painel de Monitoramento das Hepatites Virais. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.].
