Diretoria da SBI reunida à frente do painel no X Congresso Norte-Nordeste
Apoiado pela SBI e com mais de 490 inscritos, o evento discutiu desde temas como humanização no tratamento do HIV até o impacto da IA na especialidade
Entre os dias 4 e 6 de junho de 2026, a cidade de Natal (RN) sediou o X Congresso Norte-Nordeste de Infectologia. O evento registrou alta adesão, com 492 inscritos e 318 trabalhos submetidos, demonstrando a força da produção científica e o crescente interesse pela pesquisa nas duas regiões.
Com o apoio e a presença da diretoria da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o congresso não foi apenas um espaço de atualização clínica, mas também um ambiente para fortalecer as redes de colaboração entre profissionais de diferentes estados, unindo pesquisadores, serviços de saúde e sociedades médicas.

Infectologistas durante o evento
Confira, a seguir, um panorama com os principais temas abordados e discutidos no evento.
Doenças tropicais e o alerta das mudanças climáticas
As arboviroses, doenças transmitidas por mosquitos, abriram as discussões. O manejo hospitalar da dengue grave foi analisado sob a ótica das novas recomendações de fluxo, enquanto os debates sobre a Chikungunya focaram no impacto da dor crônica e na necessidade de reabilitação.
Em paralelo, as mudanças ambientais globais moldaram as discussões sobre doenças emergentes. Com a alteração do clima, patógenos antes isolados passam a preocupar os sistemas de saúde do Norte e Nordeste. Algumas questões apresentadas foram:
- O avanço da Febre Oropouche, os riscos do Vírus Nipah e o desafio hospitalar de conter o fungo Candida auris.
- A urgência em integrar a saúde humana, animal e ambiental (Saúde Única) como o caminho mais viável para prever e conter novas epidemias.
ISTs, humanização e novas formas de prevenção
As discussões focadas em HIV e infecções sexualmente transmissíveis trouxeram importantes debates, unindo o avanço da ciência ao atendimento humanizado. Nesse tema, o destaque foi o debate sobre o desejo de amamentar por mulheres vivendo com HIV/Aids, em que equipes multiprofissionais e infectopediatras discutiram como acolher essas mães dentro do cenário de políticas públicas do Brasil.
Em relação à prática clínica e prevenção, o congresso apontou as principais tendências em prevenção e tratamento:
- O protagonismo da PrEP injetável e a chegada da DoxiPEP (uso de doxiciclina como profilaxia pós-exposição) no manejo de ISTs bacterianas.
- O momento ideal para o início da Terapia Antirretroviral (TARV) e os avanços complexos trazidos pelo Dr. Ricardo Sobhie Diaz, presidente da SBI, na busca pela cura do vírus.

Roda de conversa e debate
O desafio das bactérias multirresistentes
A realidade da terapia intensiva e da resistência bacteriana ganharam sessões de excelente nível técnico. O conferencista internacional André Kalil trouxe importantes informações sobre o manejo da febre na UTI e as estratégias para o diagnóstico precoce da sepse, que continua sendo um dos obstáculos da medicina intensiva.
A preocupação com as superbactérias também esteve bem presente no congresso. Os palestrantes enfatizaram como o sequenciamento genético e os painéis moleculares ajudam a tomar decisões terapêuticas rápidas, o que acendeu um alerta para as ISTs, tendo em vista a perda de sensibilidade a antimicrobianos observada no Brasil.
Avanços da tecnologia e o futuro da especialidade
O uso da Inteligência Artificial foi destacado como uma ferramenta promissora para prever surtos epidemiológicos e auxiliar no diagnóstico clínico. Paralelamente, a Telemedicina se consolidou como um suporte remoto fundamental para regiões isoladas do Norte e Nordeste, entretanto, foi reforçada a necessidade de cautela e critérios rigorosos ao diagnosticar por meio dessas novas tecnologias.
Por fim, o evento reservou espaço para a comunicação, destacando o papel crucial de médicos e cientistas na divulgação científica responsável através das redes sociais, combatendo as fake news em saúde.
O X Congresso Norte-Nordeste de Infectologia foi encerrado com a premiação dos melhores trabalhos científicos apresentados, consolidando a edição de 2026 como um marco de inovação e valorização da ciência nacional da especialidade em todo o país.

Entrega de premiação e certificados
