Nova série de educação continuada discute como a pandemia alterou o perfil microbiológico das UTIs e reforça estratégias de prevenção e uso racional de antibióticos
São Paulo, maio de 2026 – A Sociedade Brasileira de Infectologia lançou na última quinta-feira (7) o “SBI Atualiza”, nova série semanal de educação continuada voltada à discussão de temas urgentes da prática clínica contemporânea. Os encontros acontecem às quintas-feiras, às 20h, reunindo especialistas para debater desafios atuais da infectologia e da segurança assistencial.
A aula inaugural abordou o tema “Do ambiente ao paciente: ameaças infecciosas no espaço de saúde”, discutindo os impactos da resistência bacteriana, da biossegurança hospitalar e das estratégias de prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde.
A convidada do encontro foi a infectologista Dra. Verônica de França Diniz Rocha, mestre e doutora pela FIOCRUZ, presidente da Associação Baiana de Epidemiologia e Controle de Infecção (ABECI) e especialista em vigilância epidemiológica e programas de stewardship de antimicrobianos.
Durante a aula, a especialista destacou que o combate às bactérias multirresistentes depende não apenas do uso adequado de antibióticos, mas também do controle rigoroso do ambiente hospitalar e da qualidade dos processos assistenciais.
“Os cinco passos da higienização das mãos seguem sendo pilares fundamentais da prevenção, mas precisam estar associados à análise criteriosa de materiais, equipamentos e rotinas hospitalares. O ambiente também exerce papel central na cadeia de transmissão de patógenos resistentes”, afirmou.
Impactos da pandemia nas UTIs
Um dos destaques da apresentação foi o estudo conduzido pela Dra. Verônica sobre as mudanças no perfil microbiológico das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) antes e após a pandemia de COVID-19.
Segundo a infectologista, a sobrecarga enfrentada pelos serviços de saúde durante a crise sanitária comprometeu programas de controle de infecção hospitalar e impactou diretamente o gerenciamento de antimicrobianos, favorecendo novos desafios relacionados à resistência bacteriana.
A pesquisa também aponta mudanças importantes nas cepas circulantes em ambientes críticos e reforça a necessidade de retomada de protocolos assistenciais e medidas de vigilância.
“A pandemia de COVID-19 impôs uma sobrecarga sem precedentes ao sistema de saúde, e os reflexos no perfil microbiológico das UTIs são evidentes. O controle de infecção e o stewardship de antimicrobianos precisam caminhar juntos para recuperarmos a segurança do paciente no cenário pós-pandemia”, destacou.
Além das aulas semanais, o “SBI Atualiza” integra as iniciativas da SBI voltadas à disseminação de conhecimento técnico-científico e ao fortalecimento das boas práticas em saúde.
