Um novo artigo publicado no Brazilian Journal of Infectious Diseases (BJID), resultado de uma iniciativa conjunta da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e da Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI), amplia o debate sobre os desafios do enfrentamento do HIV no Rio Grande do Sul. A publicação apresenta a Carta de Porto Alegre, construída pela Aliança Gaúcha pelo Enfrentamento do HIV, e propõe caminhos para reduzir a mortalidade por aids e fortalecer a resposta à epidemia
Publicado em 9 de setembro, o editorial destaca o cenário particularmente preocupante do estado. Apesar de seus elevados indicadores de desenvolvimento social e de uma rede de saúde estruturada, o Rio Grande do Sul lidera em mortalidade por aids no país. Para os autores, o desafio está relacionado não apenas à oferta de recursos, mas também ao diagnóstico tardio, às dificuldades de acesso e continuidade do cuidado e ao estigma associado ao HIV.
A Carta de Porto Alegre reúne compromissos para ampliar a testagem e o diagnóstico precoce, garantir acesso amplo e descentralizado à PrEP oral e injetável, fortalecer o tratamento imediato e contínuo e promover um cuidado humanizado, livre de discriminação. A proposta também defende maior integração entre profissionais de saúde, gestores públicos, universidades, sociedades científicas, organizações da sociedade civil e pessoas vivendo com HIV.
O artigo destaca ainda que o estado já possui experiências que demonstram o impacto de uma resposta coordenada. Entre 2013 e 2023, por exemplo, a detecção de aids em crianças menores de cinco anos caiu mais de 70%, em um processo associado a estratégias estruturadas de prevenção da transmissão vertical.
A publicação reforça, assim, a necessidade de aproximar ciência, políticas públicas e cuidado para enfrentar a epidemia de forma mais efetiva e reduzir as lacunas que ainda levam pessoas a chegar tardiamente ao diagnóstico e ao tratamento.
Leia o artigo na íntegra:
https://infectologia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/BJID-Carta-de-Porto-Alegre.pdf
