Atualmente, graças à ciência, é possível evitar que enfermidades graves sequer apareçam. É nesse cenário que a infectologia preventiva se consolida como uma das ferramentas mais eficazes da medicina, construindo, desde os primeiros dias de vida, uma barreira que protege o indivíduo e a sociedade.
De acordo com Fláubert José Serra de Farias, médico infectologista e membro do Comitê de Infectopediatria da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o sistema imunológico dos bebês e das crianças pequenas ainda está aprendendo a se defender. Sem o estímulo correto, vírus e bactérias que já foram considerados controlados podem reaparecer no país. É aí que a imunização aparece como protagonista.
O Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, oferece gratuitamente mais de 20 vacinas no calendário da criança, cobrindo desde o nascimento até os 10 anos de idade. A introdução dessas vacinas logo no início da infância ativa as defesas do corpo. Assim, a infectologia garante que o organismo receba os estímulos certos no tempo adequado, evitando sequelas graves e a reintrodução de doenças historicamente eliminadas ou controladas, como a poliomielite e o sarampo.
O efeito coletivo e a proteção dos vulneráveis
A vacinação infantil não é apenas um ato de proteção social. O Ministério da Saúde reforça que, para garantir a segurança de toda a população, as taxas de cobertura vacinal precisam ficar entre 90% e 95%, a depender do imunizante.
Quando essa meta é atingida, a sociedade alcança a chamada imunidade de rebanho (proteção coletiva), que impede que os vírus encontrem pessoas suscetíveis a infectar. Essa barreira coletiva é a única linha de defesa para os grupos mais vulneráveis da população, que incluem:
- Recém-nascidos: bebês que ainda não têm idade suficiente para receber as primeiras doses de suas vacinas.
- Idosos: pessoas cujo sistema imunológico já passa pelo processo de imunossenescência (o envelhecimento natural das defesas do corpo).
- Imunossuprimidos: pacientes oncológicos, transplantados, com algumas infecções crônicas, com doenças autoimunes ou com uso de medicamentos imunossupressores que muitas vezes não podem receber certas vacinas ou não conseguem desenvolver anticorpos da mesma forma que indivíduos saudáveis.
A prevenção para além da vacinação
O sucesso da infectologia preventiva também depende de hábitos diários. Junto com as diretrizes do Ministério da Saúde e as metas de prevenção de infecções da Anvisa, especialistas da SBI alertam que o cumprimento do calendário vacinal deve estar aliado a barreiras físicas contra infecções. As principais recomendações incluem:
- A higienização correta das mãos através do uso de água e sabão ou de álcool em gel 70% permanece como a maneira mais eficaz e barata de interromper o ciclo de transmissão de diversos vírus e bactérias.
- É fundamental instruir as crianças, desde cedo, a cobrirem a boca e o nariz com o antebraço ou com um lenço descartável ao tossir ou espirrar.
- Manter ambientes como salas de aula e espaços de convivência ventilados reduz drasticamente a carga viral circulante, principal causadora de doenças respiratórias.
A infectologia preventiva mostra, na prática, que o cuidado precoce é a base para um futuro mais saudável para toda a sociedade.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação. Brasília: Ministério da Saúde, [202-].
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS) 2026-2030. Versão final. Brasília: Anvisa, jan. 2026.
