O uso de swabs para a realização de culturas microbiológicas de úlceras cutâneas infectadas comumente reflete contaminação com microbiota de pele. Culturas coletadas por swabs não mostram correlação com a presença de microrganismos patogênicos envolvidos com infecção de úlcera. Em adição, a microbiota de tecidos profundos não pode ser acessada com swabs superficiais. A amostragem por swabs pode levar a resultados errôneos e a biópsia de tecido é o procedimento recomendado para confirmar a presença de microrganismos associados com úlceras infectadas.
Crescimento de bactérias na urina ocorre comumente em pacientes assintomáticos. Bacteriúria assintomática ocorre em 3,5% das mulheres jovens e em pacientes diabéticos, podendo chegar a 18% da população idosa. Por tal motivo, rastreamento para bacteriúria assintomática não é recomendado, exceto em caso onde a terapia antimicrobiana possa trazer benefício clínico. Na gravidez, a detecção e o tratamento de bacteriúria assintomática reduzem a incidência de pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascimento. Em pacientes pré-operatório de cirurgia urológica, tal conduta reduz as taxas de febre e de sepse no pós-operatório.
Dois tipos de testes laboratoriais são utilizados para o diagnóstico da sífilis: testes não-treponêmicos e treponêmicos. Testes treponêmicos, como o FTA-Abs, são mais específicos, sendo usados para confirmar o diagnósticos em pacientes com teste não não-treponêmico positivo, bem como em casos onde os testes não-treponêmicos possuam reduzida sensibilidade, como a sífilis tardia. Entretanto, os títulos de anticorpos treponêmicos se correlacionam pouco com a atividade da doença, e podem permanecer positivos durante toda a vida do paciente. Como resultado, os testes treponêmicos nõ devem ser usados para monitorar a atividade sorológica e os desfechos do tratamento de pacientes previamente tratados para sífilis.
Não se recomenda repetir IgG anti-Toxoplasma em pacientes imunocompetentes previamente positivos, assim como não é recomendado seguimento sorológico destes indivíduos. A prevalência de infecção por Toxoplasma varia entre países e também entre comunidades dentro de um mesmo país, dependendo de fatores ambientais e socioeconômicos. Em algumas áreas do Brasil a soroprevalência de infecção por T. gondi atinge 80%. Uma vez que a infecção por Toxoplasma seja confirmada os títulos tendem a permanecer positivos e conferir proteção contra reinfecção por toda a vida.
Devido á alta prevalência de infecão pelo vírus herpes simplex 1 (HSV-1) e 2 (HSV-2) na população geral, a detecção de anticorpos contra estes vírus costuma não ter significado clínico. Em 2012, um estudo estimou que 67% da população mundial com menos de 50 anos de idade já estivesse infectada por HSV-1. A prevalência global estimada para o HSV-2 para a mesma faixa etária, foi de 11%. Estudos brasileiros também têm demonstrado uma elevada soroprevalência de infecção por herpes simplex em adultos.
*A SBI organizou uma força-tarefa de dez mil infectologistas, liderada pelo coordenador do Grupo de Laboratório e o presidente da entidade. O grupo chegou inicialmente a 106 potenciais recomendações. Após a exclusão de frases redundantes ou que não contemplavam o cerne da iniciativa, sobraram 32. Foi realizada então votação interna para escolha de 10. O passo seguinte contou com o chamamento de todos os sócios da SBI, que, por adesão voluntária somou-se a participação de 482 membros volantes que escolheram as 5 finalistas. (Contato: [email protected])
Estas recomendações estão disponibilizadas para fins informativos, e não se destinam a substituir a consulta ou avaliação com um profissional médico ou outro profissional da equipe da saúde envolvida na assistência. Pacientes com quaisquer perguntas específicas sobre os itens desta lista ou sua situação individual devem consultar seu médico.
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