Com prevalência alarmante no Brasil, infecção pode levar décadas para manifestar sintomas graves
SÃO PAULO – O Vírus Linfotrópico de Células T Humanas (HTLV) permanece como um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil. Estima-se que 1,1 milhão de pessoas vivam com o vírus no país, mas a grande maioria desconhece o diagnóstico. O alerta ganha força no Dia Mundial do HTLV, reforçando a necessidade de exames preventivos e do uso de métodos de prevenção. Diferente de outras infecções, o HTLV ataca os linfócitos T e pode permanecer silencioso por décadas. No entanto, entre 5% e 10% dos infectados desenvolvem doenças graves, como a Leucemia/Linfoma de células T do Adulto (ATLL) e a Mielopatia Associada ao HTLV (HAM/TSP) — uma condição neurológica que afeta a mobilidade e o controle urinário.
Avanços no diagnóstico e políticas públicas
O cenário de combate ao vírus mudou drasticamente nos últimos dois anos. Desde a publicação da Portaria GM/MS nº 3.148/2024, a infecção tornou-se um agravo de notificação compulsória, que permite ao Ministério da Saúde mapear a dimensão da epidemia em solo brasileiro. Outro avanço é a inclusão do teste de HTLV no pré-natal da Rede Alyne (SUS). O objetivo é interromper a transmissão vertical, transmitida de mãe para filho, que ocorre majoritariamente pela amamentação. A recomendação médica orienta que mães soropositivas devem ser orientadas a inibir a lactação, substituindo o leite materno por fórmulas infantis fornecidas gratuitamente pelo governo.
Formas de transmissão e prevenção
O contágio do HTLV é semelhante ao de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). As principais vias são:
Relações sexuais desprotegidas:
Amamentação, que é a principal via de transmissão vertical.
Compartilhamento de agulhas, que há riscos ligados ao uso de drogas injetáveis.
Transfusões e transplantes, controlados por triagem obrigatória em bancos de sangue.
O perigo da falta de informação
De acordo com o infectologista Carlos Brites, a falta de informação é o maior obstáculo. “O paciente pode carregar o vírus por 30 anos sem saber, até que surjam dificuldades para caminhar que são frequentemente confundidas com o envelhecimento natural ou problemas de coluna”, explica o especialista.
O doutor destaca que o diagnóstico precoce e a fisioterapia especializada são fundamentais para manter a autonomia do paciente. Além do cuidado físico, ele reforça a necessidade de suporte psicossocial para combater o estigma que ainda envolve a doença.
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