É tempo de férias e a prevenção de riscos se faz necessária, especialmente entre viajantes que se deslocam pelo país e para o exterior. Estatísticas mostram que cerca de metade dos 700 milhões de viajantes adoecem durante viagens e que 8% dessas pessoas precisam de algum tipo de internação.
As informações são da infectologista Sylvia Lemos Hinrichsen (foto ao lado), coordenadora do Comitê Científico de Medicina de Viagem da SBI e docente da Universidade Federal de Permambuco, onde é responsável pelo Núcleo de Ensino, Pesquisa e Assistência em Infectologia e Saúde do Viajante.
A especialista comenta que a diarreia é a doença mais comum entre os viajantes ocorrendo em 10% a 60% dos turistas. Pelo menos 20% das pessoas afetadas ficam acamadas durante parte de suas viagens e 40% mudam seus itirenários por causa da doença e ou sintomas gastrointestinais (vômitos).
A incidência de diarreia é proporcional ao número de imprudências alimentares que a pessoa realiza, que ocorrem em 98% dos viajantes nas primeiras 48 horas após a chegada a seu destino. “Em geral, a diarreia do viajante é um distúrbio de curta duração, autolimitado e dura cerca de 4 dias se não tratada”, afirma Sylvia.
As doenças dermatológicas representam 4,7% dos problemas pós-viagens, especialmente, em regiões tropicais. “As queimaduras de sol, são os principais problemas apresentados pelos viajantes seguidos de doenças como o bicho de pé, larva migrans, miíase e queimaduras por caravelas com ou sem infecções bacterianas associadas”, acrescenta Sylvia.
Segundo ela, febre também é um outro problema de saúde observado no durante e após viagens, relacionada principalmente com casos endêmicos da malária. Confira a seguir as principais dicas dadas pela infectologista da SBI para ter uma viagem tranquila.
Outros cuidados ainda em férias...
No período de férias, também são comuns os surtos de gastroenterite (inflamação gástrica e intestinal) que costumam levar adultos e crianças a hospitais de algumas cidades do Brasil, especialmente em regiões de praias. Os sintomas normalmente observados nesses casos são náuseas, diarréias, vômitos, cólica abdominal e febre (nas crianças).
A especialista da SBI afirma que, em geral, a etiologia desses processos gastro-intesinais são virais, causados por rotavírus ou adenovirus, que podem ser transmitidos de pessoa a pessoa. "São situações que podem fazer com que toda uma família seja contaminada, simultaneamnente, assim como outras pessoas próximas ou até mesmo toda uma região", comenta Sylvia.
Segundo ela, é possível que a água do mar seja a causadora do desconforto, em épocas de temporadas, onde são freqüentes as mudanças bruscas de temperaturas. Também há um aumento da população nas cidades turisticas nesse período, e as chuvas intensas fazem com que muito material inadequadamente descarado acabe indo para o mar, como lixos, dejetos de animais silvestres etc., o que acarreta maior risco de contaminação, explica a infectologista da SBI.
A médica adverte ainda quanto ao excesso de alimentação ou bebida associada a esses surtos, assim como a exposição ao sol, especialmente na região Nordeste do Brasil, "onde as temperaturas são mais elevadas e há uma radical mudança de temperos e sabores nas comidas típicas, em geral servidas em locais de pouco higiene e sem segurança alimentar", comenta. Também deve-se evitar alimentos como salgados ou doces vendidos por ambulantes nas praias ou muito gordurosos, dando-se preferência a produtos naturais e de boa procedência.
"Assim, qualquer sinal de mal-estar da criança ou do adulto, como dor abdominal e falta de apetite, deverá imediatamente ser investigada por um profissional de saúde. Nessas circustâncias não vale a pena forçar a alimentação e insistir na ingestão de líquidos", ressalta Sylvia.
Ela recomenda o uso de soro caseiro - feito com um copo de água para uma colher (sopa) de açúcar e 1 colher (sobremesa) de sal - como uma boa opção, devendo ser administrado aos poucos e com paciência. "Mas em alguns casos é preciso que a hidratação seja feita em serviço de pronto atendimento em uma instituição de saúde", adverte.
Dez dicas de prevenção para férias mais seguras...
1. Manter-se hidratado bebendo água (de boa procedência) e outros líquidos (sucos, sopas, chás) ou consumindo frutas, especialmente durante exposição ao sol;
2. Evitar alimentos de origem duvidosa;
3. Lavar frequentemente as mãos com água e sabão após ir ao banheiro e ou antes das refeições e ou quando ingerir ou ter contato com alimentos;
4. O uso de álcool gel pode ser indicado quando da impossibilidade de lavar as mãos com água e sabão, devendo só ser utilizado em mãos limpas. Este não substitui a lavagem das mãos;
5. Evitar exposição ao sol sem protetor solar e lembrar de reaplicá-lo a cada duas horas e ou após contato com a água;
6. Não viajar caso esteja doente e ou com suspeita de alguma doença durante o período de transmissão;
7. Caso apresente algum sinal ou sintoma de alguma doença a bordo do avião, embarcação ou veículo terrestre e ou durante a estada no hotel reporte-se aos seus responsáveis para que eles possam acionar os serviços de apoio e autoridades sanitárias e ou médica;
8. Não dirigir após ingestão de bebidas alcoólicas;
9. Usar repelentes em locais de maior incidência de mosquitos, especialmente, em regiões onde se encontram mosquitos causadores da malária;
10. Antes de viajar, atualize o cartão de vacinas.
Reportagem: Equipe de conteúdo do Portal SBI